sábado, 7 de abril de 2007

Centro de Artes de Sines evoca 25 de Abril com música de Zeca Afonso

O Centro de Artes de Sines (CAS) recorda este mês alguns dos momentos mais emblemáticos do 25 de Abril de 1974 na região e no país com exposições, conversas e um concerto com músicas de Zeca Afonso.
A revolução dos cravos domina os principais eventos culturais logo a partir da próxima terça-feira, com a inauguração da exposição "Uma Revolução em Marcha — O 25 de Abril na Rua", patente no átrio da biblioteca até ao final do mês. A mostra documental, promovida pelo Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra, retrata os dias do nascimento da democracia em Portugal e o modo como foram vividos nas ruas pela população.Mais próximo da data que assinala a passagem de 33 anos sobre a revolução, no dia 23, é inaugurada a exposição "A Bem da Nação", no centro de exposições do CAS. Os documentos dados a conhecer caracterizam a ditadura do Estado Novo entre 1926 e 1949 e formam a primeira de três partes desta mostra (a concretizar até 2009), que "pretende contextualizar a revolução do 25 de Abril de 1974 em Sines e em Portugal".Os antecedentes do 25 de Abril são também lembrados até ao final de Maio, com documentos do Arquivo Histórico Municipal Arnaldo Soledade, que explicam a instauração do Estado Novo e as suas consequências para a vida do país e da então vila de Sines.O golpe militar que deu origem ao Estado Novo (28 de Maio de 1926), a promulgação da Constituição (19 de Março de 1933), a II Guerra Mundial (1939/45), o ciclone em Portugal (1941) e as eleições presidenciais de 13 de Fevereiro de 1949 são os principais momentos revistos."Os Mitos de Abril" voltam a estar em destaque no dia 26, data em que a investigadora do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (Universidade Nova de Lisboa) Maria Inácia Rezola conduz uma conversa sobre este tema, na cafetaria do CAS, às 21h30.A discussão versará "sobre as verdades e os mitos da história, nalguns aspectos ainda misteriosa", e responderá a questões como "tratou-se de uma revolução em nome da liberdade?" ou "o que foi o 25 de Novembro, um golpe ou um contra-golpe?".Na noite de 28 de Abril, o auditório do Centro de artes enche-se com a música de Zeca Afonso, tocada pelo quinteto de percussionistas Steel Drumming, acompanhado pelo convidado J. P. Simões (22h00).O grupo originário do Porto vai recriar o repertório do autor de "Grândola, Vila Morena" em tambores metálicos (steel drums ou steel pans, instrumentos criados a partir de bidões de aço originários das Caraíbas).Além dos eventos ligados à revolução, o centro de artes acolhe ainda em Abril a exposição de arte contemporânea Paisagem/Limiar, um concerto de harpa pela sineense Ana Castanhito Almeida e um concerto de cravo por Gustav Leonhardt, considerado "um dos maiores intérpretes deste instrumento em todo o mundo".Apresentação de livros, teatro para a infância, hora do conto e recitais de poesia são outras das iniciativas marcadas para este mês.

Revolução dos Cravos na Moita






Jornal do Barreiro 04-04-2007



Volvidos 33 anos desde o dia em que Portugal despertou para a Liberdade e para a Democracia, é altura de comemorar e, por isso, a Câmara Municipal da Moita promove um conjunto de actividades que se iniciam a 9 de Abril, terminando apenas a 1 de Maio, Dia do Trabalhador.
Do programa, destacamos o espectáculo comemorativo do 33º aniversário do 25 de Abril, no dia 24 de Abril, pelas 22h30, na Praça da República, na Moita, com o grupo “Quadrilha”. No dia 25 de Abril, às 10h30, realiza-se mais um Desfile da Liberdade com a participação das autarquias, do movimento associativo e da população em geral.
A concentração está marcada para o Largo do Mercado (Rua Alexandre Sequeira). No campo desportivo, realça-se a iniciativa “25 Horas a Nadar”, nos dias 24 e 25, na Piscina Municipal, em Alhos Vedros. É também durante as comemorações do 25 de Abril, no dia 22 de Abril, que o Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira, comemora 2 anos de actividade, com o espectáculo “Encontro”, com Luís Represas e João Gil.

Comemorações de Abril em Oliveira do Hospital


Já está disponível a nova Agenda Cultural recreativa e desportiva do município de Oliveira do Hospital que anuncia um vasto leque de actividades a realizar nos meses de Abril, Maio e Junho.


Destacam-se, neste mês, as comemorações do 25 de Abril, em Maio a Semana Académica da ESTGOH e a Festa Municipal da Educação que se alarga até ao primeiro dia de Junho, para o qual está também planeada a realização da Semana Popular, entre os dias 23 e 30. Dos meses contemplados pela Agenda Cultural, Abril é de facto o mês das comemorações, dado que para além de se assinalar o 25 de Abril, o mês é também dedicado ao livro e ao teatro.
“Abril Mês do Livro”, é o mote de uma iniciativa que está a ser levada a cabo pela OHs XXI – Associação Cultural e Multimédia de Oliveira do Hospital que, na vertente “30 dias, 30 livros, todos os dias – Parte III”, conta com a colaboração da Rádio Boa Nova, na emissão de spots três vezes ao dia. Prevista está também, para o próximo dia 20, uma sessão com Poesia e Prosa de André Medeiros no Ritual Bar. “A Leitura está na rua”, dá nome a um conjunto de debates e tertúlias na rua e à mini feira do livro que decorrerão, entre as 10h00 e as 13h00 no Largo Ribeiro do Amaral.
Em Abril, o destaque vai ainda para o VI Ciclo de Teatro da Primavera que tem início no próximo dia 14, com a peça “Está tudo na sua cabeça! A Sexualidade, Segundo Freud”. Segue-se, a 21 de Abril, a peça “Duas na mão uma a voar” e, uma semana depois, “Isto é que vai aqui uma crise”. O ciclo de teatro termina em Maio com a subida ao palco do grupo de teatro “A Fonte” com a peça “A partilha”.
Também é com teatro, que a autarquia inicia as comemorações do 25 de Abril. “Portugal…dos anos 60 ao 25 de Abril de 74” é o nome da peça a cargo do Agrupamento de Escolas Brás Garcia de Mascarenhas e que deverá subir ao palco da Casa da Cultura César Oliveira, no dia 24 de Abril, a partir das 21h30. É com o hastear das bandeiras, às 09h00, que têm início as comemorações do dia 25 de Abril, a que se seguirá a Corrida da Liberdade. Depois de um almoço popular no Mercado Municipal, será inaugurada a exposição de trabalhos escolares e decorrerão os jogos tradicionais, a tarde musical e o cinema. “Reflectir Abril”, é o tema da tertúlia que encerra as comemorações e que terá lugar na Casa da Cultura César Oliveira.
A data também não passa indiferente à OHs XXI que já programou um conjunto de actividades subordinadas ao tema “Ohs25 Comemora Abril” e, que deverão acontecer entre as 08h00 e as 02h00 de 24 de Abril. Exposições, curta-metragem, documentário e canções são as iniciativas agendadas e que têm como palco, o Ritual Bar. Ainda em Abril, mas no dia 27, será inaugurada a Biblioteca Escolar “Dr. Vasco de Campos”, momento em que se procederá ao lançamento do nº4 da revista “Ipsis Verbis”, na Escola Secundária de Oliveira do Hospital.
04-Abr-2007

33º Aniversário do 25 de Abril em Ferragudo


Ferragudo pretende mais uma vez comemorar o aniversário da revolução dos Cravos com animação diversificada fruto da colaboração da Junta de Freguesia de Ferragudo com as associações locais e concelhias.Privilegiando a Praça Rainha D. Leonor como centro das festividades, prepara-se este ano para receber uma prova de canoagem sobranceira a cais, bem como para apresentar demonstrações de andebol e demais desportos praticados pelas associações participantes.A Festa irá começar após as 10.00 horas e possuirá exposições de trabalhos dos alunos da EB1 de Ferragudo, jogos populares, pinturas, jogos de cartas informatizados e diversas surpresas para os visitantes.Encontra-se ainda a ser preparada uma homenagem a figura conhecida do época que deverá passar por uma exposição e tertúlia sobre a mesma.A Junta de Freguesia de Ferragudo e as entidades participantes convidam desde já a população a juntar-se aos festejos.

04-04-2007 20:24h por Ferragudo.org

Associação 25 de Abril lança concurso de fotografia com o tema "Comemorações do 25 de Abril"


A Associação 25 de Abril realiza o 1º Concurso Internacional de Fotografia com o tema "Comemorações do 25 de Abril". De forma a comemorar este ano o 25 de Abril, esta associação decidiu marcar esta data com este concurso fotográfico relacionado com o tema.
Cada concorrente poderá apresentar um máximo de cinco obras, respeitantes às comemorações do 25 de Abril em qualquer parte do mundo, relativas ao ano a que o concurso respeita. As obras a concurso deverão ser de origem claramente fotográfica, impressas em papel fotográfico com as dimensões mínimas de 20x30cm e com máximo de 30x40cm. Todas as fotografias a concurso deverão conter no verso o título da obra, o pseudónimo do concorrente, bem como o local onde foi tirada.
Os trabalhos deverão ser enviados para a Associação 25 de Abril, Rua da Misericórdia, 95, 1200-271 Lisboa, até ao próximo dia 28 de Maio. A avaliação de todas as obras enviadas decorrerá entre 28 de Maio e 25 de Junho e a lista dos premiados será divulgada a 28 de Junho. Sendo a entrega de prémios no dia 7 de Julho, aquando da inauguração da exposição com todos os trabalhos concorrentes. O primeiro prémio será no valor de 500€, o segundo no valor de 250€ e o terceiro classificado receberá 150€.
Ao 1º Concurso Internacional de fotografia, organizado pela Associação 25 de Abril, podem concorrer todos os fotógrafos amadores e profissionais, nacionais e estrangeiros.

Quem foi Salgueiro Maia?




SALGUEIRO MAIA
Militar, capitão de Abril: 1944-1992

Carlos Loures


1944: Em 1 de Julho, nasce em Castelo de Vide, Fernando José Salgueiro Maia, filho de Francisco da Luz Maia, ferroviário, e de Francisca Silvéria Salgueiro. Frequenta a escola primária em São Torcato, Coruche. Faz os estudos secundários em Tomar e em Leiria.
- 1945: Termina a 2ª Guerra Mundial.
- 1958: Eleições presidenciais. Delgado é «oficialmente» derrotado por Américo Tomás.
- 1961: Começa a guerra em Angola. A Índia invade os territórios portugueses de Goa, Damão e Diu.
- 1963: Desencadeiam-se as hostilidades na Guiné e em Moçambique. - 1964: Salgueiro Maia ingressa em Outubro na Academia Militar, em Lisboa.
- 1965: Humberto Delgado é assassinado pela PIDE.
- 1966: Salgueiro Maia apresenta-se na EPC (Escola Prática de Cavalaria), em Santarém para frequentar o tirocínio.
- 1968: Integrado na 9ª Companhia de Comandos, parte para o Norte de Moçambique. - 1970: É promovido a capitão.
- 1971: Em Julho embarca para a Guiné.
- 1973: Regressa a Portugal, sendo colocado na EPC. Começam as reuniões do MFA. Delegado de Cavalaria, faz parte da Comissão Coordenadora do Movimento.
- 1974: Em 16 de Março, «Levantamento das Caldas». Em 25 de Abril, comanda a coluna de carros de combate que, vinda de Santarém, põe cerco aos ministérios no Terreiro do Paço e força depois, já ao fim da tarde, a rendição de Marcelo Caetano no Quartel do Carmo.
- 1975: Em 25 de Novembro sai da EPC, comandando um grupo de carros às ordens do presidente da República.
- 1979: Após ter sido colocado nos Açores, volta a Santarém onde comanda o Presídio Militar de Santa Margarida.
- 1984: Regressa à EPC.
- 1989-90: Declara-se a doença cancerosa que o irá vitimar. É submetido a uma intervenção cirúrgica.
- 1991: Nova operação. A última.
-1992: Morre em 4 de Abril.

CRÓNICA DE UM PAÍS CINZENTO

Era uma vez um país cinzento onde nada acontecia... Ou melhor, as coisas e as pessoas aconteciam e nasciam, mas logo que acabavam de acontecer e de nascer, a cor era-lhes retirada, tudo passava a ser cinzento como nos noticiários da televisão da época. Até que...

3.25: ALEA JACTA EST:MÓNACO, MÉXICO E TÓQUIO SÃO OCUPADOS

Na Rua Rodrigo da Fonseca, em Lisboa, na esquina com a Sampaio Pina, perto do Liceu Maria Amália, há um café-restaurante chamado «Pisca-Pisca». É quase meia-noite do dia 24 de Abril de 1974. Uma noite fria e ventosa, apesar da Primavera. Um grupo de cinco clientes entra no estabelecimento onde as cadeiras estão já arrumadas sobre as mesas. Pedem cafés. Um deles pergunta a um empregado se vão fechar.

- Claro, diz o homem - amanhã é dia de trabalho!
- Se calhar não vai ser - responde o freguês. - E, olhe, no futuro até vai ser feriado!

O empregado olha surpreendido aqueles clientes tardios e com um sentido de humor tão estranho. Se reparasse que apesar dos casacos diferentes, todos vestem calças, meias e sapatos iguais, ainda ficaria mais surpreendido.
São jovens, pouco mais de trinta anos os mais velhos, e estão excitadamente alegres. Com alguns outros, estiveram até agora fechados nos seus automóveis desde as nove da noite, suportando o vento fresco do alto do Parque Eduardo VII. São o 10º Grupo de Comandos. Às 22.55, nos rádios dos carros, sintonizados para os Emissores Associados de Lisboa, a voz do locutor João Paulo Diniz anunciou o Paulo de Carvalho na canção do Eurofestival «E Depois do Adeus» e provocou-lhes esta excitação de felicidade. Preparam-se para assaltar o Rádio Clube Português, na Rua Sampaio Pina, e para o transformar no emissor do posto de comando do Movimento das Forças Armadas.
À meia-noite e vinte, na Rádio Renascença, a voz de Zeca Afonso irrompe com a «Grândola, Vila Morena». É o segundo sinal. O MFA está em marcha, já nada o pode travar.
Na EPA, Escola Prática de Artilharia, de Vendas Novas, o coronel que comanda a unidade é preso no seu gabinete por um grupo de capitães e tenentes. A central telefónica e a central rádio são ocupadas, as entradas do quartel colocadas sob controlo.
Na EPAM, Escola Prática de Administração Militar, no Lumiar, em Lisboa, os capitães e subalternos preparam-se, com as forças sob o seu comando, para se dirigirem para ali perto, para a Alameda das Linhas de Torres, e ocupar os estúdios da Radiotelevisão Portuguesa.
Do Batalhão de Caçadores 5, em Campolide, sai uma coluna apeada para reforçar o comando de assalto ao Rádio Clube Português, que os tardios clientes do «Pisca-Pisca» e os seus companheiros ocuparam já.
Do Campo de Tiro da Serra da Carregueira (CTSC), pouco depois das 2.00 sai uma coluna motorizada para ocupar a Emissora Nacional, na Rua do Quelhas, em Lisboa.
Entre as 3.15 e as 3.25 da madrugada de 25, ao posto de comando, instalado no Regimento de Engenharia 1, na Pontinha, onde o major Otelo Saraiva de Carvalho coordena as operações, chegam sucessivamente as mensagens de que Mónaco, México e Tóquio foram tomados. São os nomes de código para a Radiotelevisão Portuguesa, para o Rádio Clube Português e para a Emissora Nacional. Os capitães sabem que a guerra da informação é fundamental ser ganha. Por isso, deram prioridade aos objectivos que lhes irão permitir dominar as comunicações e ter o controlo da informação.



Salgueiro Maia e o 25 de Abril de 1974. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo?
Tudo está a correr de acordo com a ordem de operações. Todas as forças vão atingindo os seus objectivos. A coluna do Regimento de Infantaria 10, de Aveiro, chega junto dos portões do Regimento de Artilharia Pesada, da Figueira da Foz, às 3.40. O comandante é preso. Aguarda-se a chegada das forças do CICA 2, também da Figueira, e do Regimento de Infantaria 14, de Viseu. É o agrupamento Norte que, depois de concentrado, se dirigirá aos seus alvos, controlando um segmento da fronteira com Espanha, ocupando o Forte de Peniche, a Pide/DGS do Porto... Outras forças correm para outros objectivos: quartéis da Legião Portuguesa, unidades da GNR e da PSP, as fronteiras mais próximas, as antenas de rádio... Tudo corre bem. No posto de comando, na Pontinha, apenas uma preocupação: o aeroporto da Portela ainda não foi tomado. A Escola Prática de Infantaria (EPI), de Mafra, deveria ali ter chegado à hora H (às 3.00) para tomar a torre de controlo, ocupar as pistas, interditando a descolagem e aterragem de aviões. Terá corrido mal alguma coisa? Finalmente, às 4,20 recebe-se uma comunicação:
- Nova Iorque, conquistada e controlada!

O aeroporto de Lisboa está em poder da Revolução!

AQUI POSTO DE COMANDO...

Às 4,26 o Rádio Clube Português emite o primeiro comunicado. Joaquim Furtado lê pausada e solenemente:
«Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas.
As Forças Armadas portuguesas apelam a todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas, no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os Portugueses, o que há que evitar a todo o custo. Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração, que se deseja, sinceramente, desnecessária».
Segue-se A Portuguesa e, depois, marchas militares.

SINAL VERMELHO É PARA AVANÇAR

Entretanto, às 3.30, a porta de armas da Escola Prática de Cavalaria (EPC), de Santarém, fora atravessada por dez viaturas blindadas, doze de transporte, duas ambulâncias, um jipe e uma viatura civil de exploração à frente da coluna comandada pelo capitão Salgueiro Maia. Objectivo principal: Toledo ou, descodificando, o Terreiro do Paço e os seus ministérios.
As viaturas atravessam a lezíria sem impedimento. Chegam à auto-estrada e, procurando recuperar o atraso com que tinham saído da unidade, vêm a grande velocidade. Chegam à portagem da auto-estrada do Norte às 5.30, saem da 2ª Circular para o Campo Grande. Em duas horas, a coluna percorreu 90 quilómetros, o que é uma grande velocidade para as autometralhadoras. Salgueiro Maia ouve num dos rádios um carro-patrulha da PSP a informar o seu Comando da passagem da coluna, impressionado com o número de autometralhadoras. Mas passemos a palavra ao comandante Maia: «Enquanto ouvia estas informações, o jipe trava de repente e dou comigo parado no sinal vermelho do cruzamento da Cidade Universitária. Olho para o lado e vejo um autocarro da Carris também parado. Achei que era de mais parar a Revolução ao sinal vermelho, quando o que distinguia os carros do MFA era um triângulo vermelho no lado esquerdo das viaturas ou tapando a matrícula. Mando avançar tocando as sirenes das autometralhadoras EBR até chegar ao Terreiro do Paço».
Às 6.00 a coluna atinge finalmente Toledo, o coração do regime! Os carros de combate cercam os ministérios, a divisão da PSP aquartelada no Governo Civil, a Câmara Municipal, a Marconi e o Banco de Portugal. No centro da praça uma Chaimite e uma autometralhadora EBR, com o jipe do comandante, constituem o posto de comando e a força de intervenção de Salgueiro Maia. A primeira parte da sua missão é cumprida com êxito - chega ao seu objectivo antes de ser dado o alarme geral. Charlie Oito, ou seja, Salgueiro Maia, comunica a Tigre, ou seja, a Otelo:
- Ocupámos Toledo e controlamos Bruxelas e Viena (Banco de Portugal e Rádio Marconi)!
Entretanto, os comunicados vão-se sucedendo na rádio. Às 4.45, aconselha-se às forças militarizadas e policiais que recolham aos seus quartéis e aí aguardem as ordens que o MFA lhes transmita. Às 5.15 sobe o tom e adverte-se as forças repressivas do regime que serão severamente responsabilizadas caso enveredem pela luta armada. Às 5.45, num comunicado mais extenso reforça-se o que foi dito nos anteriores, e apela-se para o civismo de todos os portugueses no sentido de ser evitado qualquer confronto armado. Nos intervalos, cantam José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria, Francisco Fanhais, Luís Cília, José Mário Branco. Os Portugueses adormeceram cinzentos e escravos num país cinzento onde nada acontecia. A madrugada vai-se enchendo de sons e de cores. Os Portugueses acordam noutro país. Um país onde tudo acontece.

UMA ESTRELA DO MFA VITORIOSO

A partir da chegada da coluna de Salgueiro Maia ao centro físico do poder político, a acção deste capitão confunde-se com a história do próprio 25 de Abril. É óbvio que ao mesmo tempo, em Lisboa e no País, ocorrem factos, o MFA cumpre objectivos, a Revolução assume o controlo. Porém ali, entre o nascer do dia e o meio da tarde, verificam-se os acontecimentos centrais do 25 de Abril. Se Otelo é o estratega, o cérebro da operação, Salgueiro Maia é o seu braço mais importante. Diz Otelo («Alvorada em Abril»): Salgueiro Maia iria ser o comandante das forças do Movimento mais sujeito a situações de perigo e de tensão ao longo do dia 25. O número de homens que tem sob o seu comando e o potencial bélico de que dispõe permitem-lhe, todavia, encarar com certo optimismo as situações de responsabilidade que se lhe vão deparando e sendo resolvidas e que farão concentrar sobre ele e as forças da EPC as preocupações do posto de comando e as atenções e o carinho das massas populares que, a partir do Terreiro do Paço, não mais deixarão de o acompanhar e aos seus homens, guindando desde logo o jovem capitão às culminâncias de primeira estrela do MFA vitorioso».

ALGUMAS NUVENS
orém, sobre esta estrela rutilante algumas nuvens se vão acastelando.
Os guardiães do regime começam a acordar no meio daquilo que, para eles, é um verdadeiro pesadelo. Desde as 3.30 que, no Porto, o comandante da PSP local telefona para o Comando da GNR a informar sobre a tomada do Quartel General da Região Militar pelos revoltosos. A partir deste primeiro alarme, as comunicações sucedem-se por todo o País. Até que, pelas 5.00, Silva Pais, director-geral da PIDE, telefona a Marcelo Caetano:
- Senhor Presidente, a Revolução está na rua!
É então que se decide que o chefe do Governo se deve acolher ao quartel do Carmo.
É surpreendente que um regime ditatorial, com uma experiência de repressão de quase cinco décadas e em cujas estruturas os militares tinham um peso tão significativo, estivesse afinal tão mal preparado para resistir a um golpe militar. Em todo o caso, algumas medidas foram sendo tomadas. Assim, pouco depois das 6.00 chega ao Terreiro do Paço um pelotão de AML/Chaimites pertencente ao Regimento de Cavalaria 7, comandado por um alferes miliciano que às primeiras palavras de Salgueiro Maia adere ao Movimento. O mesmo acontece a dois pelotões de Lanceiros 2. No Ministério do Exército, o ministro e outros elementos do Governo estão reunidos de emergência para fazer face à rebelião. Ao verem que as forças que vão sendo enviadas para os proteger vão aderindo à Revolução, os valorosos cabos de guerra encontram uma única saída para a situação: abrem à picareta um buraco na parede e, passando para a biblioteca do Ministério da Marinha, dão às de vila-diogo!
No Atlântico, a fragata Almirante Gago Coutinho, integrada numa esquadra da NATO, participa no exercício «Dawn Patrol». Recebe ordens para abandonar as manobras, entrar no Tejo e abrir fogo sobre as forças insurrectas que ocupam o Terreiro do Paço. Cerca das 9.00 a silhueta esguia da fragata surge diante do centro de Lisboa. Uma bateria da Escola Prática de Artilharia, de Torres Novas, segue em Londres , ou seja no morro do Cristo-Rei de Almada, os movimentos do navio. Porém sabe-se que o elevado poder de fogo do vaso de guerra pode causar grandes estragos. Tigre ordena a Charlie Oito que proteja o pessoal e os blindados, metendo o que for possível sob as arcadas da praça. O comandante Vítor Crespo consegue que seja anulada a ordem e que a fragata acabe por ir fundear, cerca do meio-dia, em frente ao Alfeite.
Quando Salgueiro Maia e o posto de comando ainda estão a suspirar de alívio por ter passado a ameaça da Gago Coutinho, surgem cinco carros de combate M/47 de Cavalaria 7 seguidos de atiradores do Regimento de Infantaria 1, da Amadora, e alguns soldados da PM de Lanceiros 2. Um brigadeiro comanda a coluna. Salgueiro Maia, de braços erguidos, agitando um lenço branco, tenta o diálogo, mas o brigadeiro não aceita encontrar-se com ele a meio caminho. Dá ordem a um alferes que abra fogo. O jovem não obedece. Irado, o brigadeiro, repete a ordem directamente aos apontadores dos carros e aos atiradores de infantaria. Salgueiro Maia está a descoberto debaixo da mira das torres dos blindados e das espingardas dos atiradores. Nem as tripulações dos carros nem os outros soldados obedecem. Dando vozes de prisão a torto e a direito, disparando para o ar, o brigadeiro salta do carro e desaparece. Toda a coluna fica sob as ordens do capitão Maia.

RUMO AO CARMO
Antes do meio-dia, pelo posto de comando, Salgueiro Maia é informado de que Marcelo Caetano está no Carmo. Deixando forças a guardar os ministérios, avança para lá. Quando entra no Rossio, aparece-lhe pela frente uma coluna militar com uma companhia de atiradores que o Governo enviara para fazer frente aos revoltosos. O Capitão salta do seu jipe e vai perguntar ao comandante da coluna o que está ali a fazer. É-lhe respondido que tem ordens para o prender, mas que está com a Revolução. E também esta coluna é integrada nas forças que avançam para o Carmo.
As edições especiais dos jornais começam a circular. O Rossio, a Rua do Carmo, todo o percurso, está cheio de populares que vitoriam os soldados. Os cravos vermelhos começam a ser enfiados nos canos das G-3. É cerca de 12,30. Diz o capitão: «No Carmo, ao chegar houve desde senhoras a abrir portas e janelas para colocar os homens nas posições dominantes sobre o Quartel, até ao simples espectador que enrouquecia a cantar o Hino Nacional. O ambiente que lá se viveu não tem descrição, pois foi de tal maneira belo que depois dele nada de mais digno pode acontecer na vida de uma pessoa».
Após a intimação para que a guarnição se renda e entregue Marcelo Caetano, não sendo obedecido, Maia recebe ordem do posto de comando para abrir fogo sobre o edifício. Porém, ele sabe que as granadas explosivas das autometralhadoras num largo apinhado de gente irão provocar centenas de mortes. Manda disparar armas automáticas para a parte superior do Quartel .
Entra uma primeira vez dentro do edifício, mas não consegue a rendição. Entra uma segunda vez e exige falar com o Presidente do Conselho. Numa antecâmara, Rui Patrício chora como uma criança e Moreira Baptista olha, ausente, o infinito. Deixemos que ele nos descreva o seu diálogo com Marcelo Caetano:
«Marcelo estava pálido, barba por fazer, gravata desapertada, mas digno.
Fiz-lhe a continência da praxe e disse-lhe que queria a rendição formal e imediata. Declarou-me já se ter rendido ao Sr. General Spínola, pelo telefone, e só aguardava a chegada deste para lhe transferir o Poder, para que o mesmo não caísse na rua! Estive para lhe dizer que estava lá fora o Poder no povo e que este estava na rua. Declarou esperar que o tratassem com a dignidade com que sempre tinha vivido e perguntou o que ia ser feito dele. Declarei que certamente seria tratado com dignidade, mas não sabia para onde iria, pois isso não me competia a mim decidir. Perguntou a quem competia. Declarei que a «Óscar». Perguntou quem era «Óscar». Declarei ser a Comissão Coordenadora. Perguntou-me quem eram os chefes. Declarei serem vários oficiais, incluindo alguns generais, isto para que ele não ficasse mal impressionado por a Revolução ser feita essencialmente por capitães.
Perguntou-me ainda o que ia ser feito do Ultramar. Declarei-lhe que a solução para a guerra seria obtida por conversações. Toda esta conversa, tida a sós, teve por fundo o barulho do povo a cantar o Hino Nacional e o Está na hora».
Depois, pouco antes das 18.00, chega Spínola, que embora tenha dito a Marcelo nada ter a ver com o Movimento, rapidamente assume ares de «dono da guerra», no dizer de Salgueiro Maia. Às 19,30, Marcelo, Moreira Baptista e Rui Patrício entram numa viatura blindada que encostou a traseira à porta de armas do Quartel. Na confusão que se estabelece, com a multidão a gritar «assassinos!», e com os militares a proteger os homens do regime da ira popular, Henrique Tenreiro que deveria também seguir preso no transporte blindado, mistura-se com os populares e escapa-se, gozando mais umas horas de liberdade.
Após a rendição de Marcelo Caetano e a sua saída do Quartel, pode dizer-se que a Revolução estava ganha, embora, ali perto, na Rua António Maria Cardoso, os agentes da PIDE, encurralados como feras dentro da sua sede, disparassem das janelas, matando cinco pessoas. As únicas mortes verificadas durante o 25 de Abril.
A noite iria ser longa. Muita coisa iria passar-se até que nos ecrãs da televisão os Portugueses tivessem ocasião de ver a Junta de Salvação Nacional, com uns senhores empertigados, com um vago ar de golpistas sul-americanos, viessem, armados em «donos da guerra», ditar as leis de uma Revolução para a qual nada tinham contribuído, deixando na sombra os jovens oficiais que, como Salgueiro Maia, tudo tinham feito, que tudo tinham arriscado.

E DEPOIS, O ADEUS

Naquele dia do princípio de Abril de 1992, no cemitério de Castelo de Vide, quatro presidentes da República (António de Spínola, Costa Gomes, Ramalho Eanes e Mário Soares), vêem descer à terra num modesto caixão o corpo de um dos homens que mais contribuiu para que tivessem podido ascender à mais alta magistratura da Nação. No dia 4, Fernando Salgueiro Maia fora vencido pela doença. «O gajo ganhou», dissera ele a um oficial da EPC, referindo-se ao cancro quando se convenceu do carácter terminal da sua doença.
Quem é este homem, vencedor de batalhas, de revoluções, que agora desce à terra, em campa rasa, ao som do «Grândola, Vila Morena»?
Nasce ali, em Castelo de Vide, em 1 de Julho de 1944. Muito novo, fica órfão de mãe. Faz os estudos primários em São Torcato, Coruche, e os secundários no Colégio Nun'Álvares de Tomar e no Liceu Nacional de Leiria. Em 1964, ingressa na Academia Militar.
«Filho de uma família de ferroviários, é a situação de guerra nas colónias que me permite o acesso à Academia Militar, pois o conflito fez perder as vocações habituais, e assim a instituição foi obrigada a abrir as suas portas», diz-nos ele em «Capitão de Abril». Dois anos depois, apresenta-se na Escola Prática de Cavalaria. Depois, a guerra.
Porém, tudo se pode resumir a uma breve legenda: Salgueiro Maia, soldado português que à frente de 240 homens e com dez carros de combate da EPC avançou em 25 de Abril de 1974 sobre Lisboa, ocupou o Terreiro do Paço levando os ministros de um regime ditatorial de quase 50 anos a fugir como coelhos assustados, cercou o Quartel do Carmo obrigando Marcelo Caetano a render-se e a demitir-se. Atingiu o posto de tenente-coronel, recusou cargos de poder. É o mais puro símbolo da coragem e da generosidade dos capitães de Abril.
E quase tudo terá ficado dito.
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Nota: Este texto foi elaborado com base em diversos depoimentos de intervenientes no 25 de Abril. Entre estes destacamos o livro de Salgueiro Maia «Capitão de Abril», editado pela Editorial de Notícias e a 4ª edição de «Alvorada em Abril», de Otelo Saraiva de Carvalho, também da mesma editora.

Santarém homenageou Salgueiro Maia nos 15 anos da sua morte



Jardim dos Cravos foi local para evocar o carácter do capitão de Abril




Quase um ano depois de inaugurado, o jardim dos Cravos em Santarém, memória à liberdade, ao 25 de Abril e ao capitão Salgueiro Maia, foi cenário para a comemoração dos 15 anos do falecimento do herói da revolução.
Populares, autarcas e a viúva do capitão de Abril associaram-se à homenagem, marcada pelo toque de ordem de tropas, pela deposição de coroas de flores junto à estátua de Salgueiro Maia e da chaimite por autarcas e amigos. Pelo minuto de silêncio cumprido em seu nome dos ideais que levou à prática. Novos e velhos cantaram “Grândola Vila Morena”, canção que na madrugada de 25 de Abril despoletou a partida de Salgueiro Maia em direcção ao quartel do Carmo, em Lisboa, para derrubar a ditadura.
Para o presidente da Câmara de Santarém, Francisco Moita Flores, a evocação de Salgueiro Maia é um exercício de memória dos heróis e figuras importantes para o sentido da vida, unidos na diferença. Referência cívica da liberdade do 25 de Abril mas também como homem e cidadão desprendido.
“Em dias de tanto tumulto face a quem serve a causa pública, vale a pena evocá-lo, à Escola Prática de Cavalaria, ao Movimento das Forças Armadas, a cidade de Santarém, património nacional da democracia, e fazer uma saudação à esposa de Salgueiro Maia”, sublinhou o autarca. Que disse ter sido um acto feliz da sua gestão construir o “lindo” jardim dos Cravos e o espaço ser hoje uma das salas de visitas de cidade.
Natércia Maia mostrou-se feliz e saudosa pela evocação simples do 15.º aniversário da morte do seu marido (teria hoje 62 anos), de acordo com o que era a sua maneira de ser, avessa a protagonismos. “Mais importante é que os valores que defendeu estejam cada vez mais presentes entre quem dirige e governa o país. Se ele estivesse entre nós era o que faria”, afirmou.
Fazendo recordar momentos dos tempos revoltos, o presidente da Comissão de Comemorações Populares do 25 de Abril, Arnaldo Vasques, concluiu a intervenção com vivas à liberdade, a Santarém, ao 25 de Abril e a Salgueiro Maia, acompanhados pelos populares.
As comemorações do 25 de Abril estendem-se já ao próximo sábado, dia 7, com uma visita à campa de Salgueiro Maia, em Castelo de Vide, sua terra natal. Terá lugar pelas oito da manhã, com concentração no largo do município, onde será disponibilizado um autocarro com capacidade para 50 lugares e bilhetes a cinco euros.

Na freguesia de Alhos Vedros

A Junta de Freguesia e o Meio Associativo de Alhos Vedros apresentam um vasto programa comemorativo da Revolução dos Cravos, com iniciativas durante todo o mês de Abril. Apresentamos, a seguir as principais iniciativas do programa:
No União Pires, colectividade que festeja o aniversário em 24 de Abril, tem ela própria um assinalável programa de que destacamos:
Dias 12 e 13 de Abril - “Exposição de Fotografia”, no “União Pires”.
Dias 14 e 15 de Abril - 15,30H – “Cavalhadas – Jogos Tradicionais”, Local e Org. C.C.R. “União Pires”
Dias 15 a 19 de Abril - - Exposição de Rendas
Dia 14 de Abril - 21,30H – Actuação das Bandas Brekfast – Clyde’s
Dia 15 de Abril - 16,00H – Grupos Corais Alentejanos.
Dia 21 de Abril - 21,30H – Actua-ção do Grupo de Dança Most + Convidados
Dia 24 de Abril - 21,00H – Sessão Solene do 23º Aniversário do Centro Cultural e Recreativo União Pires
Dia 27 de Abril - 21,30 H – Música: Beat Box – Dodot + Guerra.
Dia 28 de Abril - 21,30 H – Karaoke – Nelson No Rancho Folclórico de Danças e Cantares da Barra Cheia completa 27 anos, no dia 19 de Abril.
Até 5 de Maio, as principais iniciativas propostas são:
Dia 15 de Abril - 15,00 H – “19º Festival de Acordeão da Barra Cheia”
Dia 21 de Abril - 21,30 H – “25º Festival de Folclore da Região Caramela”
Dia 22 de Abril - 13,00 H – Almoço convívio de Aniversário do Rancho e baile com o acordeonista Nélio Marques
Também na Escola B2,3 José Afonso estão programadas várias actividades:
Dia 19 de Abril - Divulgação na Rádio da Escola das Actividades do “Comemorar o 25 de Abril”. Abertura oficial do Caderno “Liberdade é …”, onde os alunos, professores funcionários e comunidade envolvente, podem escrever o que pensam sobre este valor (a Liberdade). Divulgação na Rádio da Escola da existência deste Caderno e do Prémio a atribuir à melhor frase. Concurso “Um Rap sobre a Liberdade”, na Escola 2,3 José AfonsoDia 20 de Abril - Audição de Músicas de Abril e Intervenções na Rádio sobre o tema. Divulgação do Caderno “Liberdade é …” e do prémio a atribuir à melhor frase. Leitura de Poemas sobre a Liberdade (Trova do vento que passa, de Manuel Alegre).
Abertura de uma Exposição intitulada “Os Primeiros Dias da Liberdade”.
Dia 23 de Abril Audição de Músicas de Abril e Leitura de Poemas sobre a Liberdade. Visitas à Exposição na Ludoteca (CRE/BE). Visionamento de Documentários sobre a Revolução de Abril. Concurso “Um Rap sobre a Liberdade”: Actuação no Polivalente.
Dia 24 de Abril - Encerramento dos Concursos: “Liberdade é…”, “Um Rap sobre a Liberdade”. Divulgação dos vencedores dos concursos e entrega de prémios, na Rádio da Escola. Actuação dos Vencedores do Concurso “Um Rap sobre a Liberdade”. Encontro com Leonel Coelho, um ex-preso político da ditadura sala-zarista, seguido de debate, no auditório do CRE-BE
Outras actividades programadas:
21 de Abril - 21,00 H – Espectáculo com o Grupo de Teatro Infantil (Gato do Chapéu Alto) com a peça “Dentinho de Ouro”, no Auditório da S.F.R.U.A. Org. (Velhinha)
Dia 25 de Abril -09,00 H – XVII Torneio de Ténis de Mesa “Zeca Afonso”, Local: Pavilhão Municipal da Moita, Org. Academia Musical e Recreativa 8 de Janeiro. 10,00 H – Participação no Desfile da Liberdade – Moita. Torneio de Chinquilho “25 DE Abril”, no Cais do Descarregador, Org. J.F. de A.Vedros. 15,00 H – Super Taça de Portugal em basquetebol em Cadeira de Rodas – Pavilhão da Escola 2,3 José Afonso. Org. Associação Portuguesa de Deficientes – Delegação de Setúbal. 16,00 H – Abertura da Exposição de Artesanato na Capela da Stª Casa da Misericórdia com trabalhos de Rui Semedo, Joaquim Geraldes, Gil e Hermenegildo Amândio. A Exposição decorre até dia 01 de Maio. Org. J. F. de A.Vedros.Dia 28 de Abril - 21,30 H – Espectáculo Musical com as Bandas “Generosa”, na Praceta Almada Negreiros – Urb. Vila Rosa. Org. J.F. de A. VedrosDia 5 de Maio - I Mostra de Folclore na Praceta Almada Negreiros – Vila Rosa – Bairro Gouveia. Org. Rancho Folclórico do Clube das Arroteias.

Meia Praia: «Nasci índia, quero morrer índia»



A desfazer sonhos do 25 de Abril




"Eles querem-nos desterrar para Chinicato, Odiáxere e Bensafrim para fazer uma Copacabana, mas eu nasci índia, cresci índia e quero morrer índia aqui", assegura a avó Isabel do Carmo, 55 anos, que nasceu na Meia Praia, lugar à beira-mar cantado e imortalizado por José Afonso após o 25 de Abril.
A Meia Praia, com cerca de cinco quilómetros de fina e branca areia sem qualquer formação rochosa que se estende desde o Rio de Alvor até Lagos, está na iminência de perder os seus mais ilustres habitantes: os cerca de 300 pescadores e famílias, baptizados de índios por viverem em barracas de junco e colmo.O plano urbanístico da Meia Praia prevê para a próxima década a demolição das casas dos anos 70 (construídas com fundos do estado português) e realojamentos dos pescadores noutros bairros.O objectivo do plano de urbanização é a construção de empreendimentos turísticos de luxo com áreas verdes abertas ao público em geral.Os pescadores avisam, todavia, que não querem sair do lugar que ergueram pelas próprias mãos, carregando tijolos um a um com a ajuda de crianças, mulheres, comunistas e forças armadas.Sem quererem entrar numa guerra à moda dos filmes de cowboys, os índios da Meia Praia lançam duas propostas: ou manter as casas originais (41) e deixar os primitivos ali viverem para sempre ou fazer um novo bairro 25 de Abril, à semelhança do que se fez com a Aldeia da Luz, Alentejo, aquando da construção da Barragem de Alqueva.O presidente da Comissão de Moradores do Bairro 25 de Abril, José Bartolomeu, diz que se a opção for uma espécie de memorial só para os pescadores mais velhos, a tendência da aldeia é morrer e que isso também não é a melhor opção."Com o tempo isto apaga-se tudo, desaparece, mas eu acho que o bairro é demasiado histórico para morrer", conta Bartolomeu.No Café da Larita, lugar onde os pescadores se reúnem para falar da vida, o sogro de José Bartolomeu, o pescador Fernando Romão, com 63 anos e estrela de cinema nos dois filmes realizados em Portugal sobre os índios da Meia Praia, conta à Lusa que tudo começou com seis ou sete famílias em 1952.A morar na Travessa da Liberdade, da Aldeia da Meia Praia e a fainar quando o mar o permite no "Epopeia do Mar", de 9,60 metros de comprimento, Fernando Romão foi um dos primeiros a chegar à Meia Praia.Viajou de Montegordo até Tavira de automotora, de Tavira para Olhão a pé e ficando a dormir onde "lhe jogavam caridade" e depois de Olhão a Lagos de novo de automotora", desembarcando em Junho: "ainda vim fazer os meus nove anos na Meia Praia", recorda "Isto é uma família pegada", diz, levantando os olhos para o céu e imaginando a migração nos anos 50 para Lagos em busca de melhor vida e mais peixe no mar.Até hoje, os primitivos, filhos, netos e até bisnetos da Aldeia da Meia Praia têm por ali feito a faina e a vida. Entre o mar e a linha de comboio, a população ultrapassou vários regimes e governos. O futuro? Acreditam que passa por se manterem unidos.





26 de Março de 2007 13:51cecília malheiro, Agência Lusa





"Os Índios da Meia Praia"


de Zeca Afonso




Aldeia da Meia Praia


Ali mesmo ao pé de Lagos


Vou fazer-te uma cantiga


Da melhor que sei e faço




De Montegordo vieram


Alguns por seu próprio pé


Um chegou de bicicleta


Outro foi de marcha à ré




Quando os teus olhos tropeçam


No voo de uma gaivota


Em vez de peixe vê peças de oiro


Caindo na lota




Quem aqui vier morar


Nao traga mesa nem cama


Com sete palmos de terra


Se constrói uma cabana




Tu trabalhas todo o ano


Na lota deixam-te nudo


Chupam-te até ao tutano


Levam-te o couro cabeludo




Quem dera que a gente tenha


De Agostinho a valentia


Para alimentar a sanha


De esganar a burguesia




Adeus disse a Montegordo


Nada o prende ao mal passado


Mas nada o prende ao presente


Se só ele é o enganado




Oito mil horas contadas


Laboraram a preceito


Até que veio o primeiro


Documento autenticado




Eram mulheres e crianças


Cada um com o seu tijolo


Isto aqui era uma orquestra


quem diz o contrário é tolo




E se a má língua nao cessa


Eu daqui vivo nao saia


Pois nada apaga a nobreza


Dos indios da Meia-Praia




Foi sempre tua figura


Tubarao de mil aparas


Deixas tudo à dependura


Quando na presa reparas




Das eleições acabadas


Do resultado previsto


Saiu o que tendes visto


Muitas obras embargadas




Mas nao por vontade própria


Porque a luta continua


Pois é dele a sua história


E o povo saiu à rua




Mandadores de alta finança


Fazem tudo andar para trás


Dizem que o mundo só anda


Tendo à frente um capataz




Eram mulheres e crianças


Cada um com o seu tijolo


Isto aqui era uma orquestra


Que diz o contrario é tolo




E toca de papelada


No vaivém dos ministérios


Mas hao-de fugir aos berros


Inda a banda vai na estrada


Museu da Imprensa expõe em Faro “25 de Abril em Cartaz”


O Museu Nacional da Imprensa inaugura no próximo dia 4 de Abril, às 18:00 horas, no Museu Municipal de Faro, a exposição “25 de Abril em Cartaz”. A mostra é promovida pela autarquia local e integra-se nas comemorações do 33º aniversário da “revolução dos cravos”. Destacando os ícones do “25 de Abril” de autoria dos artistas Vieira da Silva, João Abel Manta e Vespeira, a exposição apresenta perto de meia centena de cartazes pertencentes à colecção do Museu Nacional da Imprensa. O emblemático menino colocando um cravo vermelho na espingarda, o “A poesia está na rua” de Vieira da Silva e os cartazes alusivos ao Movimento das Forças Armadas de Vespeira e Abel Manta podem ser vistos ou revistos nesta mostra evocativa de um dos mais importantes acontecimentos da História de Portugal. Esta exposição resulta de uma selecção das centenas de cartazes que o Museu da Imprensa possui, alusivos ao 25 de Abril, e nela se incluem alguns dos muitos que se fazem todos os anos, um pouco por todo o País. A apresentação desta exposição em Faro é mais um passo na política de descentralização cultural que o Museu Nacional da Imprensa tem vindo a promover desde a sua inauguração em 1997, comemorando no próximo mês o seu décimo aniversário. A exposição “25 de Abril em Cartaz” vai estar patente ao público, no Museu Municipal de Faro, até 30 de Abril, de terça a sexta-feira das 10:00 às 18:00 horas e das 10:00 às 17:00 horas no fim-de-semana.
CE / RS
26 de Março de 2007 15:55