quarta-feira, 11 de abril de 2007

Fausto e GNR nas comemorações do 25 de Abril



A programação das Comemorações do 25 de Abril no concelho de Almada integra diversas manifestações culturais.

Os festejos têm o ponto alto no dia 24 de Abril, a partir das 22 horas, na Praça São João Baptista, com o espectáculo de Fausto.
Depois das intervenções, da "Grândola Vila Morena" e do espectáculo de fogo de artifício que marcam a entrada no dia 25 de Abril, a festa prossegue com os GNR, que comemoram 25 anos sobre o lançamento do primeiro single.


Dia 25 de Abril - Concentração e desfile

A partir das 9h30, na Praça M.F.A, em Almada realiza-se o desfile com a população, autarcas, colectividades, associações e instituições do concelho de Almada. A cerimónia inicia-se com largada de pombos e balões, seguindo-se a deposição de coroas de flores junto ao Monumento aos Perseguidos, intervenção de elementos da Comissão de Honra, actuação de Bandas Filarmónicas, Fanfarras de Bombeiros, grupos corais e ranchos folclóricos.
Durante o desfile são distribuídos cravos e balões aos participantes.
À noite, pelas 21h30 no Fórum Municipal Romeu Correia, pode-se assistir ao espectáculo comemorativo "Segue-me à Capela", uma perspectiva da música tradicional portuguesa traçada apenas pela voz.
Foto: DR
12:00

Espectáculo “Zeca Afonso 20 anos”



“Grândola Vila Morena” ou “Os Vampiros”, são certamente temas para ouvir em Grândola, na noite de 24 de Abril, às 22h30, no espectáculo Zeca Afonso “20 anos” com Vitorino, Janita Salomé e Zé Carvalho.

As Comemorações dos 33 anos do 25 de Abril, decorrem no Parque de Feiras e Exposições e têm início ás 21h30 com a Corrida da Liberdade.
Depois do Espectáculo de Fogo de Artificio à meia-noite, segue-se um concerto com o Grupo Rock Stone, uma banda de covers.
Destaques do programa das comemorações para este ano são também, a Inauguração do Centro Comunitário de Canal Caveira, dia 21, e o espectáculo de teatro infantil “O Tesouro” dia 22.
No dia 25, o Hastear da Bandeira, a Sessão Solene Comemorativa dos 33 anos do 25 de Abril, a Feira Sénior e uma Festa Popular.

Foto: DR
11:35

Setúbal: "Conversas do 2º Balcão" pensa Abril

2007/04/09

A Câmara Municipal de Setúbal inicia na quarta-feira, “Conversas do 2º Balcão”, com o objectivo de pensar, mais de 30 anos depois, nas consequências da Revolução de Abril na sociedade. O Forum Luisa Todi é o palco de sete sessões, durante as quais serão debatidos temas tão variados como as instituições militares e o cinema e os reflexos que Abril teve neles, vai ser possível (re)ver dois países em contraste: o antes e o depois da Revolução. A sessão inaugural – como todas as outras, no 'foyer' do 2.º balcão do Fórum Municipal Luísa Todi – realiza-se no dia 11, entre as 18h00 e as 20h00. É orador o general Pezarat Correia, que falará sobre 'Os efeitos do 25 de Abril nas instituições militares nacionais e internacionais'. A segunda sessão realiza-se na sexta-feira seguinte, dia 13, no mesmo horário, com uma comunicação de José Rebelo, antigo jornalista do 'Le Monde', que chegou a ser correspondente em Lisboa daquele diário francês. Vai dissertar sobre a experiência vivida durante a 'Revolução dos Cravos' e como ela foi tratada nos órgãos de comunicação social estrangeiros. A escritora e ensaísta Eduarda Dionísio é a convidada da terceira sessão, marcada para o dia 20, também entre as 18h00 e as 22h00. Centrará a comunicação nas 'Práticas Culturais depois de Abril', realçando o processo evolutivo das dinâmicas e das estruturas neste domínio. O último debate no mês acontece, no dia 27, das 22h00 às 02h00, sendo orador o poeta e ensaísta Manuel Gusmão. A comunicação intitula-se 'Panorama Literário pós-25 de Abril'. Estarão em discussão a evolução e os hábitos de leitura em Portugal nas últimas três décadas. 'Os percursos e os processos do Teatro nos últimos 30 anos' é o tema da primeira comunicação de Maio – igualmente entre as 22h00 e as 02h00, como, aliás, todas as outras até ao final do ciclo – apresentada, no dia 4, pelo encenador Joaquim Benite. No dia 11, Manuel Augusto Araújo fala sobre os percursos e os processos das artes plásticas depois da Revolução de Abril. Este ciclo de 'Conversas do 2.º Balcão' encerra no dia 18, com João Botelho a falar sobre 'Os percursos e os processos do cinema nos últimos 30 anos' Sérgio Bernardo

Autarquia da Moita comemora 25 de Abril

2007/04/09
A Câmara Municipal da Moita inicia hoje as comemorações dos 33 anos do 25 de Abril. As actividades, em parceria com as Juntas de Freguesia e com todo o Movimento Associativo, vão decorrer até dia 1 de Maio, Dia do Trabalhador. Do programa, destaque para o espectáculo comemorativo do 33º aniversário do 25 de Abril, no dia 24 de Abril, pelas 22:30h, na Praça da República, na Moita, com o grupo “Quadrilha”. No dia 25 de Abril, às 10:30h, realiza-se mais um Desfile da Liberdade com a participação das autarquias, do movimento associativo e da população em geral. A concentração está marcada para o Largo do Mercado (Rua Alexandre Sequeira). No campo desportivo, o destaque vai para as “25 Horas a Nadar”, nos dias 24 e 25, na Piscina Municipal, em Alhos Vedros. É também durante as comemorações do 25 de Abril, no dia 22 de Abril, que o Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira, comemora 2 anos de actividade, com o espectáculo “Encontro”, com Luís Represas e João Gil.

Homenagem a Salgueiro Maia

7 Abr 2007, 08:53h
A memória do capitão de Abril Salgueiro Maia é recordada este sábado em Castelo de Vide numa romagem ao seu túmulo organizada por camaradas de armas, amigos e familiares do militar que morreu há 15 anos.
"Era um homem único que teve uma morte prematura que nós todos lamentamos", afirmou Madeira Lopes, da Comissão das Comemorações Populares do 25 de Abril de Santarém, que organiza esta romagem.
"Em 2007 faz 15 anos que faleceu Salgueiro Maia e era uma data que merecia uma comemoração especial", justificou Madeira Lopes, que recorda a amizade pessoal mantida com o militar que sempre recusou honras após o 25 de Abril.
"Ele tem uma ternura semelhante ao Che Guevara, fez a revolução e depois nunca teve nem quis homenagens", afirmou o advogado de Santarém, que lhe aponta a "grande coragem" de Salgueiro Maia, mesmo após o 25 de Abril quando denunciava alguns problemas da actualidade.
"Recordo um homem que tinha um grande desassombro ao dizer as coisas e não era nunca hipócrita mas verdadeiro e frontal", afirmou Madeira Lopes, salientando que até à sua morte, a 04 de Abril de 1992, viveu sempre "humilde e sem pretensões", sem nunca "corromper" a imagem que criou na madrugada de 25 de Abril.
Em Castelo de Vide, terra onde nasceu e onde foi enterrado, está a ser ultimado um museu em sua memória mas Madeira Lopes considera que mais do que este tipo de homenagens, a memória de Salgueiro Maia é ainda recordada por muitos portugueses com carinho.
"Acho que a sua vida e o que fez está bem vivo entre os portugueses, sem esquecer quer os militares que o acompanharam quer todas as pessoas que colaboraram para que o 25 de Abril existisse, como os resistentes à ditadura", explicou Madeira Lopes.
Salgueiro Maia foi uma das figuras maiores do 25 de Abril, tendo conduzido 240 homens da Escola Prática de Cavalaria de Santarém ao Terreiro do Paço para tomar várias posições estratégicas.
E coube a esta coluna de carros de combate chaimites, que a memória popular depois imortalizou, o papel principal em alguns dos momentos mais marcantes desse dia como a resistência a grupos de lanceiros afectos ao regime ou a rendição de Marcelo Caetano.
Nascido a 01 de Julho de 1944, Salgueiro Maia regressou a Santarém depois do 25 de Abril e foi atingido por um cancro que se revelou fatal nos anos 80, tendo falecido em 1992.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Jogo do 25 de Abril

Joga e testa os teus conhecimentos sobre o 25 de Abril

sábado, 7 de abril de 2007

Castelo de Vide : Amigos e familiares fazem romagem em memória de Salgueiro Maia



A memória do capitão de Abril Salgueiro Maia vai ser recordada amanhã de manhã em Castelo de Vide, numa romagem ao seu túmulo organizada por camaradas de armas, amigos e familiares do militar que morreu há 15 anos. Madeira Lopes, da Comissão das Comemorações Populares do 25 de Abril de Santarém, que organiza esta romagem, referiu à Agência Lusa que recorda Salgueiro Maia como "um homem que tinha um grande desassombro ao dizer as coisas e não era nunca hipócrita mas verdadeiro e frontal", e que, até à sua morte, a 04 de Abril de 1992, viveu sempre "humilde e sem pretensões", nunca corrompendo a imagem que criou na madrugada de 25 de Abril.Em Castelo de Vide, terra onde nasceu e onde foi enterrado, está a ser ultimado um museu em memória de Salgueiro Maia.

Castro Marim celebra 33 anos do 25 de Abril

A Revolução dos Cravos celebra este ano o seu 33º aniversário e para assinalar a data, a Câmara Municipal de Castro Marim organizou um programa com diversas actividades culturais, desportivas e recreativas.


O objectivo principal é envolver a comunidade local nas comemorações, desde os mais novos aos mais velhos. As comemorações do dia 25 de Abril iniciam-se logo no dia 23, com a apresentação do Teatro “Salazar – Ascenção e Queda” na Sede Social do Campesino Recreativo Futebol Clube, no Monte Francisco pelas 21h30. Trata-se de um espectáculo da Companhia de Teatro do Ribatejo.No dia 25 de Abril, pelas 8h00 inicia-se a tradicional Alvorada com foguetes e morteiros, seguida por um Desfile da Banda Musical Castromarinense, pelas principais localidades do concelho de Castro Marim.Pelas 09h00 terá lugar o Hastear da Bandeira nos Paços do Concelho.

Meia hora depois dá-se a Largada de Pombos no Forte de São Sebastião e pelas 10h00 inicia-se a Manhã Desportiva no Pavilhão Municipal.Em termos desportivos irá decorrer um passeio de bicicleta pela Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e VRSA e ainda a Gincana Desportiva a realizar no Parque Infantil de Castro Marim.O mote é recordar valores como a Liberdade, Democracia e Solidariedade; valores que a Revolução dos Cravos proporcionou.

Em Almada- Fausto e GNR nas comemorações do 25 de Abril


As Comemorações do 25 de Abril, em Almada, integram diversas manifestações culturais. No dia 24 de Abril, a partir das 22 horas, na Praça São João Baptista, realiza-se o espectáculo de Fausto.A entrada no dia 25 de Abril, será com os GNR, que comemoram 25 anos sobre o lançamento do primeiro single.

A programação das Comemorações do 25 de Abril no concelho de Almada integra diversas manifestações culturais. Os festejos têm o ponto alto no dia 24 de Abril, a partir das 22 horas, na Praça São João Baptista, com o espectáculo de Fausto.
Depois das intervenções, da “Grândola Vila Morena” e do espectáculo de fogo de artifício que marcam a entrada no dia 25 de Abril, a festa prossegue com os GNR, que comemoram 25 anos sobre o lançamento do primeiro single.Dia 25 de Abril Concentração e desfile
A partir das 9h30, na Praça M.F.A, em Almada realiza-se o desfile com a população, autarcas, colectividades, associações e instituições do concelho de Almada. A cerimónia inicia-se com largada de pombos e balões, seguindo-se a deposição de coroas de flores junto ao Monumento aos Perseguidos, intervenção de elementos da Comissão de Honra, actuação de Bandas Filarmónicas, Fanfarras de Bombeiros, grupos corais e ranchos folclóricos.Durante o desfile são distribuídos cravos e balões aos participantes.
À noite, pelas 21h30 no Fórum Municipal Romeu Correia, pode-se assistir ao espectáculo comemorativo “Segue-me à Capela”, uma perspectiva da música tradicional portuguesa traçada apenas pela voz. Outros destaquesEvocando os poetas de Abril
Entre 3 e 28 de Abril, está patente na Biblioteca do Fórum Municipal Romeu Correia, uma exposição bibliográfica que reúne obras literárias de poetas que escreveram sobre a liberdade e solidariedade contra a ditadura instaurada no país. De Terça a Sábado, entre as 10h e as 18 horas na Sala de Adultos. Ainda no Fórum Municipal, mas na Sala Multimédia, está ao dispor uma selecção de nomes de realizadores e compositores que se inspiram na poesia e nas ideias escritas pelos poetas de Abril. Patente de Terça a Sábado, entre as 10h e as 18 horas.
De 4 a 27 de Abril, decorre na Sala Infanto-juvenil do Fórum Municipal, a Hora do Conto. “O Tesouro”, assim intitulado, é uma narração sobre o 25 de Abril para os mais novos. Esta actividade destina-se a crianças do 1º ao 4º ano da escola básica do 1º ciclo, e está sujeita a marcação prévia. Cantar a Liberdade 2007 A 13ª edição de Cantar Liberdade inicia-se a 14 de Abril com o “Encontro de Coros”, às 17 horas, na Incrível Almadense, com a participação do Coro Polifónico de Aveiro.
No dia 22, às 17 horas, no Convento dos Capuchos pode assistir-se aos “Outros Cantos”, com o Coro Polifónico de Almada.
Dia 28, às 18 horas, na Sociedade Recreativa Musical Trafariense, José Afonso é homenageado por Filipa Pais, Luís Machado – pianista e Coro Polifónico de Almada.
O Convento dos Capuchos acolhe no dia 29, às 17 horas os “Incantos” – Música de José Afonso. Dia 5 de Maio, “Cantos”, às 18 horas, na Academia Almadense, com a participação do Coro Notas Soltas de Vila Franca de Xira, Camerata Vocal de Torres Vedras.
Dia 12 de Maio, “Recordar a Música de José Afonso, às 17 horas no Convento dos Capuchos, com Maria Repas Gonçalves.
Dia 13 de Maio, o Coro Polifónico de Almada canta “Recordar Ary dos Santos”, às 16 horas na Casa da Cerca.Juntas de Freguesia
As Juntas de Freguesia promovem iniciativas evocativas do 25 de Abril. Entre elas, destaca-se o “20º Peddy Paper” (Laranjeiro), “Confraternização dos Sobredenses e Amigos da Sobreda (Sobreda), a o “Recital comemorativo 20 anos – José Afonso” (Feijó). Sessões Solenes
No dia 19 de Abril, pelas 21h30, na Incrível Almadense realiza-se uma sessão cultural de Abril. No dia 20, às 21h30, na Academia Almadense, canta-se Abril, com um concerto comemorativo.
Rostos
5 - 4 - 200712:18

Tarefa ousada: Reflectir sobre a história recente de Portugal


O historiador António José Telo aceitou escrever um ensaio sobre a História recente de Portugal, do 25 de Abril à actualidade. O primeiro volume acaba de ser publicado e incide fundamentalmente sobre a nossa história desde o dia 25 de Abril até à adesão de Portugal às comunidades europeias (“História Contemporânea de Portugal, do 25 de Abril à actualidade, volume I”, por António José Telo, Editorial Presença, 2007).

O historiador tinha consciência do risco desta tarefa: há lacunas no que toca aos acontecimentos do 28 de Setembro, e verdadeiros “buracos negros” nos acontecimentos do 11 de Março e 25 de Novembro; a história militar do desmantelamento da Guiné só agora começa a ser publicada; permanece a nebulosa sobre a importância do decreto do ministro Sá Viana Rebelo para a precipitação das reivindicações militares; não é ainda transparente a real influência que a extrema-esquerda teve na sociedade portuguesa, sobretudo a partir de 1973 e até ao 25 de Novembro; embora haja estudos fiáveis sobre a evolução das mentalidades e da sociedade após o 25 de Abril, há fenómenos de peso que continuam por determinar caso do papel exercido pelos retornados nas actividades económicas, a evolução das pautas de consumo e as formas do exercício efectivo do poder religioso, por exemplo. Nenhum historiador, como é óbvio, é responsável pela ausência destes estudos, e a História está sempre em processo, sujeita a reapreciações até que o distanciamento separa a ganga do essencial. António José Telo prefere não se refugiar na mítica isenção e entende dar as suas explicações no decurso da narrativa. Optou, sem inibições, por um ensaio “incompleto”, e até por um tratamento desigual das diferentes vertentes. Ele não dirigiu nenhuma equipa de colaboradores, preferiu afoitar-se sozinho na empreitada. Em minha opinião, o resultado é satisfatório como documento de trabalho e fica à mercê dos desenvolvimentos posteriores. Não tenhamos dúvidas, haverá reinterpretações, há lacunas que se preencherão, sabe-se lá quantos livros de memórias menos hagiográficas não retirarão da sombra alguns factos insondáveis que aguardam explicação. Temos o 25 de Abril e a queda de um regime ditatorial quase sem um tiro. Fica-nos a incerteza se Marcello Caetano não buscou a solução menos custosa, sabendo-se sozinho, preferindo a rendição ao novo poder do dia, personificado no General Spínola. A segurança do velho regime, como se viu, era pura ficção e também foi derrotada pela manipulação das transmissões. Sabia-se que a insurreição teria que partir do Exército, já que este era o mais afectado pela Guerra Colonial. É pena que o autor não se tenha socorrido de livros publicados nos últimos 15 anos sobre o desmoronamento da Guiné que comprovam a inevitabilidade do golpe militar. Continua a fazer falta um estudo detalhado sobre a personalidade do general Spínola para entender as suas desastrosas decisões e falta de visão sobre o MFA, a influência dos partidos políticos e o estabelecimento de alianças, por exemplo. O quadro sobre as organizações políticas da época parece-nos completo e porventura poucas novidades trará nas investigações vindouras. O historiador procura interpretar aquilo que ele chama “a deriva comunista”, ou seja, o rumo errático prosseguido pelo PCP entre Outubro de 74 a Novembro de 75, com base nas apreciações feitas por Freitas do Amaral, Mário Soares e aqueles que perfilham a conspiração internacional ao serviço da URSS ou dos EUA. Com os dados actuais, há a registar como irrefutável a ingenuidade de muitos dos actores, a ilusão que tomou o MFA que se julgou narcisisticamente o motor da Revolução, a falta de um centro político que é compreensível à deficiente preparação e inexperiência da generalidade dos militares e dos partidos recém-constituídos. No fundo, como observa o autor, esquece-se a história da própria oposição ao regime ditatorial que lhe deu consistência para ensaiar um frentismo entre as populações que ansiavam a liberdade e os militares que não desgostaram da adulação, até que todos compreenderam que se caminhava para um desastre e daí o pacto de silêncio que se estabeleceu à volta do 25 de Novembro. Acresce ainda a pressão exercida pela esquerda revolucionária sobre os comunistas do PCP e os ideólogos do “socialismo real” dentro do MFA.O historiador documenta com precisão o que os sucessivos governos provisórios procuraram pôr de pé e não foram capazes: levantar a economia, melhorar as condições de vida, controlar a inflação, tudo isto dentro da roda viva que foi a crise internacional (sobretudo a crise petrolífera), as reivindicações que muitas vezes se anulavam umas às outras, as nacionalizações, atmosfera de confronto civil, etc. Igualmente as novas estratégias dos partidos políticos depois do 25 de Novembro e, sobretudo, depois da formação do I Governo Constitucional emergem com clareza, à luz dos dados disponíveis. Todo o historial dos sucessivos governos até Cavaco Silva chegar a S. Bento tem o mérito de uma redacção viva, atraente e clara. A procura de uma estratégia económica para o após 25 de Abril tem a forma de uma síntese habilidosa onde se demonstra que o historiador sabe escrever obras de divulgação. Ele destaca os projectos sonhadores e ilusão com que foram tratados os problemas de fundo, deixando claro que o emaranhado das crises financeiras foi assumido mais lucidamente pelo PS que pagou o preço em 1985: da austeridade passou-se para a modernização e o sonho europeísta, com Cavaco Silva.O capítulo sobre as mentalidades trata de aspectos essenciais como o envelhecimento da população, a mudança do estatuto de emigrante para imigrante, a reestruturação da família, a explosão do sistema educativo e um sistema de saúde que começa a dar sinais de insustentabilidade, já no vasto contexto da crise do Estado-Providência, certamente um dos maiores desafios políticos que vão atravessar toda a sociedade portuguesa nos próximos anos. Enfim, tudo leva a crer que esta reflexão aprofundada, contingente e corajosa de António José Telo vai abrir as portas a outros ensaios necessariamente polémicos, já que a neutralidade não pode existir quando se faz história com actores vivos e a cumplicidade de muitos silêncios comprometedores. A ousadia do historiador valeu a pena. Aguardemos o que ele já tem escrito sobre tudo o que aconteceu desde 1985 até aos dias de hoje.
Beja Santos