sábado, 7 de abril de 2007

Santarém homenageou Salgueiro Maia nos 15 anos da sua morte



Jardim dos Cravos foi local para evocar o carácter do capitão de Abril




Quase um ano depois de inaugurado, o jardim dos Cravos em Santarém, memória à liberdade, ao 25 de Abril e ao capitão Salgueiro Maia, foi cenário para a comemoração dos 15 anos do falecimento do herói da revolução.
Populares, autarcas e a viúva do capitão de Abril associaram-se à homenagem, marcada pelo toque de ordem de tropas, pela deposição de coroas de flores junto à estátua de Salgueiro Maia e da chaimite por autarcas e amigos. Pelo minuto de silêncio cumprido em seu nome dos ideais que levou à prática. Novos e velhos cantaram “Grândola Vila Morena”, canção que na madrugada de 25 de Abril despoletou a partida de Salgueiro Maia em direcção ao quartel do Carmo, em Lisboa, para derrubar a ditadura.
Para o presidente da Câmara de Santarém, Francisco Moita Flores, a evocação de Salgueiro Maia é um exercício de memória dos heróis e figuras importantes para o sentido da vida, unidos na diferença. Referência cívica da liberdade do 25 de Abril mas também como homem e cidadão desprendido.
“Em dias de tanto tumulto face a quem serve a causa pública, vale a pena evocá-lo, à Escola Prática de Cavalaria, ao Movimento das Forças Armadas, a cidade de Santarém, património nacional da democracia, e fazer uma saudação à esposa de Salgueiro Maia”, sublinhou o autarca. Que disse ter sido um acto feliz da sua gestão construir o “lindo” jardim dos Cravos e o espaço ser hoje uma das salas de visitas de cidade.
Natércia Maia mostrou-se feliz e saudosa pela evocação simples do 15.º aniversário da morte do seu marido (teria hoje 62 anos), de acordo com o que era a sua maneira de ser, avessa a protagonismos. “Mais importante é que os valores que defendeu estejam cada vez mais presentes entre quem dirige e governa o país. Se ele estivesse entre nós era o que faria”, afirmou.
Fazendo recordar momentos dos tempos revoltos, o presidente da Comissão de Comemorações Populares do 25 de Abril, Arnaldo Vasques, concluiu a intervenção com vivas à liberdade, a Santarém, ao 25 de Abril e a Salgueiro Maia, acompanhados pelos populares.
As comemorações do 25 de Abril estendem-se já ao próximo sábado, dia 7, com uma visita à campa de Salgueiro Maia, em Castelo de Vide, sua terra natal. Terá lugar pelas oito da manhã, com concentração no largo do município, onde será disponibilizado um autocarro com capacidade para 50 lugares e bilhetes a cinco euros.

Na freguesia de Alhos Vedros

A Junta de Freguesia e o Meio Associativo de Alhos Vedros apresentam um vasto programa comemorativo da Revolução dos Cravos, com iniciativas durante todo o mês de Abril. Apresentamos, a seguir as principais iniciativas do programa:
No União Pires, colectividade que festeja o aniversário em 24 de Abril, tem ela própria um assinalável programa de que destacamos:
Dias 12 e 13 de Abril - “Exposição de Fotografia”, no “União Pires”.
Dias 14 e 15 de Abril - 15,30H – “Cavalhadas – Jogos Tradicionais”, Local e Org. C.C.R. “União Pires”
Dias 15 a 19 de Abril - - Exposição de Rendas
Dia 14 de Abril - 21,30H – Actuação das Bandas Brekfast – Clyde’s
Dia 15 de Abril - 16,00H – Grupos Corais Alentejanos.
Dia 21 de Abril - 21,30H – Actua-ção do Grupo de Dança Most + Convidados
Dia 24 de Abril - 21,00H – Sessão Solene do 23º Aniversário do Centro Cultural e Recreativo União Pires
Dia 27 de Abril - 21,30 H – Música: Beat Box – Dodot + Guerra.
Dia 28 de Abril - 21,30 H – Karaoke – Nelson No Rancho Folclórico de Danças e Cantares da Barra Cheia completa 27 anos, no dia 19 de Abril.
Até 5 de Maio, as principais iniciativas propostas são:
Dia 15 de Abril - 15,00 H – “19º Festival de Acordeão da Barra Cheia”
Dia 21 de Abril - 21,30 H – “25º Festival de Folclore da Região Caramela”
Dia 22 de Abril - 13,00 H – Almoço convívio de Aniversário do Rancho e baile com o acordeonista Nélio Marques
Também na Escola B2,3 José Afonso estão programadas várias actividades:
Dia 19 de Abril - Divulgação na Rádio da Escola das Actividades do “Comemorar o 25 de Abril”. Abertura oficial do Caderno “Liberdade é …”, onde os alunos, professores funcionários e comunidade envolvente, podem escrever o que pensam sobre este valor (a Liberdade). Divulgação na Rádio da Escola da existência deste Caderno e do Prémio a atribuir à melhor frase. Concurso “Um Rap sobre a Liberdade”, na Escola 2,3 José AfonsoDia 20 de Abril - Audição de Músicas de Abril e Intervenções na Rádio sobre o tema. Divulgação do Caderno “Liberdade é …” e do prémio a atribuir à melhor frase. Leitura de Poemas sobre a Liberdade (Trova do vento que passa, de Manuel Alegre).
Abertura de uma Exposição intitulada “Os Primeiros Dias da Liberdade”.
Dia 23 de Abril Audição de Músicas de Abril e Leitura de Poemas sobre a Liberdade. Visitas à Exposição na Ludoteca (CRE/BE). Visionamento de Documentários sobre a Revolução de Abril. Concurso “Um Rap sobre a Liberdade”: Actuação no Polivalente.
Dia 24 de Abril - Encerramento dos Concursos: “Liberdade é…”, “Um Rap sobre a Liberdade”. Divulgação dos vencedores dos concursos e entrega de prémios, na Rádio da Escola. Actuação dos Vencedores do Concurso “Um Rap sobre a Liberdade”. Encontro com Leonel Coelho, um ex-preso político da ditadura sala-zarista, seguido de debate, no auditório do CRE-BE
Outras actividades programadas:
21 de Abril - 21,00 H – Espectáculo com o Grupo de Teatro Infantil (Gato do Chapéu Alto) com a peça “Dentinho de Ouro”, no Auditório da S.F.R.U.A. Org. (Velhinha)
Dia 25 de Abril -09,00 H – XVII Torneio de Ténis de Mesa “Zeca Afonso”, Local: Pavilhão Municipal da Moita, Org. Academia Musical e Recreativa 8 de Janeiro. 10,00 H – Participação no Desfile da Liberdade – Moita. Torneio de Chinquilho “25 DE Abril”, no Cais do Descarregador, Org. J.F. de A.Vedros. 15,00 H – Super Taça de Portugal em basquetebol em Cadeira de Rodas – Pavilhão da Escola 2,3 José Afonso. Org. Associação Portuguesa de Deficientes – Delegação de Setúbal. 16,00 H – Abertura da Exposição de Artesanato na Capela da Stª Casa da Misericórdia com trabalhos de Rui Semedo, Joaquim Geraldes, Gil e Hermenegildo Amândio. A Exposição decorre até dia 01 de Maio. Org. J. F. de A.Vedros.Dia 28 de Abril - 21,30 H – Espectáculo Musical com as Bandas “Generosa”, na Praceta Almada Negreiros – Urb. Vila Rosa. Org. J.F. de A. VedrosDia 5 de Maio - I Mostra de Folclore na Praceta Almada Negreiros – Vila Rosa – Bairro Gouveia. Org. Rancho Folclórico do Clube das Arroteias.

Meia Praia: «Nasci índia, quero morrer índia»



A desfazer sonhos do 25 de Abril




"Eles querem-nos desterrar para Chinicato, Odiáxere e Bensafrim para fazer uma Copacabana, mas eu nasci índia, cresci índia e quero morrer índia aqui", assegura a avó Isabel do Carmo, 55 anos, que nasceu na Meia Praia, lugar à beira-mar cantado e imortalizado por José Afonso após o 25 de Abril.
A Meia Praia, com cerca de cinco quilómetros de fina e branca areia sem qualquer formação rochosa que se estende desde o Rio de Alvor até Lagos, está na iminência de perder os seus mais ilustres habitantes: os cerca de 300 pescadores e famílias, baptizados de índios por viverem em barracas de junco e colmo.O plano urbanístico da Meia Praia prevê para a próxima década a demolição das casas dos anos 70 (construídas com fundos do estado português) e realojamentos dos pescadores noutros bairros.O objectivo do plano de urbanização é a construção de empreendimentos turísticos de luxo com áreas verdes abertas ao público em geral.Os pescadores avisam, todavia, que não querem sair do lugar que ergueram pelas próprias mãos, carregando tijolos um a um com a ajuda de crianças, mulheres, comunistas e forças armadas.Sem quererem entrar numa guerra à moda dos filmes de cowboys, os índios da Meia Praia lançam duas propostas: ou manter as casas originais (41) e deixar os primitivos ali viverem para sempre ou fazer um novo bairro 25 de Abril, à semelhança do que se fez com a Aldeia da Luz, Alentejo, aquando da construção da Barragem de Alqueva.O presidente da Comissão de Moradores do Bairro 25 de Abril, José Bartolomeu, diz que se a opção for uma espécie de memorial só para os pescadores mais velhos, a tendência da aldeia é morrer e que isso também não é a melhor opção."Com o tempo isto apaga-se tudo, desaparece, mas eu acho que o bairro é demasiado histórico para morrer", conta Bartolomeu.No Café da Larita, lugar onde os pescadores se reúnem para falar da vida, o sogro de José Bartolomeu, o pescador Fernando Romão, com 63 anos e estrela de cinema nos dois filmes realizados em Portugal sobre os índios da Meia Praia, conta à Lusa que tudo começou com seis ou sete famílias em 1952.A morar na Travessa da Liberdade, da Aldeia da Meia Praia e a fainar quando o mar o permite no "Epopeia do Mar", de 9,60 metros de comprimento, Fernando Romão foi um dos primeiros a chegar à Meia Praia.Viajou de Montegordo até Tavira de automotora, de Tavira para Olhão a pé e ficando a dormir onde "lhe jogavam caridade" e depois de Olhão a Lagos de novo de automotora", desembarcando em Junho: "ainda vim fazer os meus nove anos na Meia Praia", recorda "Isto é uma família pegada", diz, levantando os olhos para o céu e imaginando a migração nos anos 50 para Lagos em busca de melhor vida e mais peixe no mar.Até hoje, os primitivos, filhos, netos e até bisnetos da Aldeia da Meia Praia têm por ali feito a faina e a vida. Entre o mar e a linha de comboio, a população ultrapassou vários regimes e governos. O futuro? Acreditam que passa por se manterem unidos.





26 de Março de 2007 13:51cecília malheiro, Agência Lusa





"Os Índios da Meia Praia"


de Zeca Afonso




Aldeia da Meia Praia


Ali mesmo ao pé de Lagos


Vou fazer-te uma cantiga


Da melhor que sei e faço




De Montegordo vieram


Alguns por seu próprio pé


Um chegou de bicicleta


Outro foi de marcha à ré




Quando os teus olhos tropeçam


No voo de uma gaivota


Em vez de peixe vê peças de oiro


Caindo na lota




Quem aqui vier morar


Nao traga mesa nem cama


Com sete palmos de terra


Se constrói uma cabana




Tu trabalhas todo o ano


Na lota deixam-te nudo


Chupam-te até ao tutano


Levam-te o couro cabeludo




Quem dera que a gente tenha


De Agostinho a valentia


Para alimentar a sanha


De esganar a burguesia




Adeus disse a Montegordo


Nada o prende ao mal passado


Mas nada o prende ao presente


Se só ele é o enganado




Oito mil horas contadas


Laboraram a preceito


Até que veio o primeiro


Documento autenticado




Eram mulheres e crianças


Cada um com o seu tijolo


Isto aqui era uma orquestra


quem diz o contrário é tolo




E se a má língua nao cessa


Eu daqui vivo nao saia


Pois nada apaga a nobreza


Dos indios da Meia-Praia




Foi sempre tua figura


Tubarao de mil aparas


Deixas tudo à dependura


Quando na presa reparas




Das eleições acabadas


Do resultado previsto


Saiu o que tendes visto


Muitas obras embargadas




Mas nao por vontade própria


Porque a luta continua


Pois é dele a sua história


E o povo saiu à rua




Mandadores de alta finança


Fazem tudo andar para trás


Dizem que o mundo só anda


Tendo à frente um capataz




Eram mulheres e crianças


Cada um com o seu tijolo


Isto aqui era uma orquestra


Que diz o contrario é tolo




E toca de papelada


No vaivém dos ministérios


Mas hao-de fugir aos berros


Inda a banda vai na estrada


Museu da Imprensa expõe em Faro “25 de Abril em Cartaz”


O Museu Nacional da Imprensa inaugura no próximo dia 4 de Abril, às 18:00 horas, no Museu Municipal de Faro, a exposição “25 de Abril em Cartaz”. A mostra é promovida pela autarquia local e integra-se nas comemorações do 33º aniversário da “revolução dos cravos”. Destacando os ícones do “25 de Abril” de autoria dos artistas Vieira da Silva, João Abel Manta e Vespeira, a exposição apresenta perto de meia centena de cartazes pertencentes à colecção do Museu Nacional da Imprensa. O emblemático menino colocando um cravo vermelho na espingarda, o “A poesia está na rua” de Vieira da Silva e os cartazes alusivos ao Movimento das Forças Armadas de Vespeira e Abel Manta podem ser vistos ou revistos nesta mostra evocativa de um dos mais importantes acontecimentos da História de Portugal. Esta exposição resulta de uma selecção das centenas de cartazes que o Museu da Imprensa possui, alusivos ao 25 de Abril, e nela se incluem alguns dos muitos que se fazem todos os anos, um pouco por todo o País. A apresentação desta exposição em Faro é mais um passo na política de descentralização cultural que o Museu Nacional da Imprensa tem vindo a promover desde a sua inauguração em 1997, comemorando no próximo mês o seu décimo aniversário. A exposição “25 de Abril em Cartaz” vai estar patente ao público, no Museu Municipal de Faro, até 30 de Abril, de terça a sexta-feira das 10:00 às 18:00 horas e das 10:00 às 17:00 horas no fim-de-semana.
CE / RS
26 de Março de 2007 15:55

domingo, 25 de março de 2007

UE/50 anos: Residência de Sócrates aberta ao público dia 25


A residência oficial do primeiro-ministro, José Sócrates, abre domingo ao público para assinalar os 50 anos do Tratado de Roma, integrando-se na iniciativa do Governo, da Comissão Europeia e Parlamento Europeu denominada «Palácios na Política Europeia Portuguesa».
A residência oficial do chefe do Governo estará aberta ao público entre 11:00 e as 16:00 horas, voltando a abrir as portas, como é tradição, nas comemorações do 25 de Abril, dia em que haverá nos jardins um concerto pela Orquestra Ligeira do Exército.
Na iniciativa «Palácios na Política Europeia Portuguesa», o Executivo, em parceria com a Comissão Europeia e o Parlamento, escolheu para abrir ao público nove dos palácios nacionais que desempenharam um papel relevante na política externa nacional face à Europa.
Além do Palacete de São Bento, foram escolhidos como marcos da política externa portuguesa com a Europa as sedes dois primeiros órgãos de soberania: o Palácio de Belém (Presidente da República) e o Palácio de São Bento (Assembleia da República).
Diário Digital / Lusa
23-03-2007 12:25:0


O Palácio de São Bento, também conhecido por Assembleia da República, é um enorme edíficio de estilo neoclássico situado em Lisboa, sendo a sede do Parlamento Português desde a dissolução das ordens religiosas em 1834.
Foi construído em finais do século XVI como mosteiro beneditino (Mosteiro de S. Bento da Saúde). Ao longo dos séc. XIX e séc. XX foi sofrendo uma série de grandes obras de remodelação interiores e exteriores, o que tornou o edifíco actual quase completamente distinto do antigo Mosteiro.
O interior é igualmente grandioso, repleto de alas e de obras de arte de diferentes épocas da história de Portugal.
Depois da implantação do regime liberal tornou-se sede do Parlamento e passou a ser conhecido por Palácio das Cortes.
Conforme a denominação oficial do parlamento, também o palácio teve várias denominações: Palácio das Cortes, Palácio do Congresso e Palácio da Assembleia Nacional. Actualmente adoptou-se a designação de Palácio de S. Bento em memória do antigo convento, sendo a sede da Assembleia da República.


O palácio foi classificado como Monumento Nacional em 2002.
Nas traseiras do edifício principal, em terrenos outrora do Mosteiro, situa-se um palacete mandado construir em 1877 por Joaquim Machado Cayres para sua residência. Durante o Estado Novo em 1937 este foi adquirido pelo Estado através de expropriação, para nele instalar a Residência Oficial do Presidente do Conselho de Ministros que embora se tenha mudado em 1938 só um ano mais tarde, em Abril de 1939 processa a inauguração oficial do novo uso do palacete. Este continua ainda hoje a ser a residência oficial do Primeiro-Ministro. Muitas vezes, por desconhecimento, a comunicação social refere-se também a este palacete como Palácio de S. Bento, sendo que a melhor designação seria Residência Oficial do Primeiro-Ministro.

quarta-feira, 21 de março de 2007

25 de Abril em cartaz no Museu Municipal de Faro

O Museu Municipal de Faro inaugura, no próximo dia 4 de Abril, às 18 horas, a exposição «25 de Abril em Cartaz», que ficará patente até ao dia 30 de Abril.
Quando se comemoram mais de três décadas de liberdade, sem censura, a exposição pretende «relembrar o 25 de Abril e rever imagens em cartaz que mostram as diversas vivências da liberdade conquistada em 1974».Expõe-se uma selecção das centenas de cartazes que o Museu Nacional da Imprensa possui alusivos ao 25 de Abril, nela se incluindo trabalhos de Vieira da Silva, João Abel Manta e Vespeira e alguns dos muitos cartazes que se fazem todos os anos, um pouco por todo o país.
20 de Março de 2007 15:28

segunda-feira, 19 de março de 2007

Lutas estudantis



Rebeldes com causa


Tudo começou com um pedido (aparentemente) inocente: os estudantes pretendiam comemorar o seu dia a 24 de Março. Para tal tinham pedido autorização superior, mas, naquela manhã, os jovens depararam-se com um cenário que não parecia propenso a festejos, como recorda Artur Pinto, à época, 1962, caloiro de Direito, em Lisboa: “Quando chegámos, a Cidade Universitária estava cercada pela polícia.


partir daí deu-se um conjunto de acontecimentos com proporções que nunca teríamos imaginado.” Mas os dados estavam lançados. As tentativas de Marcello Caetano, então reitor, de negociar com o Governo uma retirada da polícia saíram goradas. Para Artur Pinto, que depois foi publicitário, o Governo temia que as comemorações do 24 de Março viessem a ter dimensões incontroláveis. Meses antes, na inauguração da Reitoria, as associações de estudantes tinham sido relegadas para segundo plano, facto que resultara num episódio constrangedor para o Chefe de Estado: “No dia da inauguração, os estudantes viraram as costas a Américo Tomás. Penso que, por esse motivo, as autoridades receavam o Dia do Estudante. Para além disso, tinha sido constituído o Secretariado Nacional dos Estudantes, que agregava as universidades de Lisboa, Porto e Coimbra. Face a isto, eles pensaram: ‘os gajos estão a unir-se’. Mas a nossa motivação inicial era puramente sindical.”Confrontados com o encerramento da cantina, com o impedimento de os estudantes de Coimbra e do Porto se juntarem aos colegas de Lisboa, com as cargas policiais, os universitários sentiram um crescente sentimento de injustiça: “Começou por ser uma revolta grande perante uma proibição que não fazia sentido. Nós só pretendíamos comemorar aquele dia com coisas normais; tínhamos previsto um baile, um festival desportivo...”
RASTILHO DE PÓLVORA
Estes acontecimentos tiveram o efeito de um rastilho de pólvora. Começaram então as grandes manifestações, a 1 e 8 de Maio, que culminaram com a prisão de 1500 estudantes. O regime de Salazar nunca mais seria o mesmo. Passados todos estes anos, Artur Pinto afirma sentir-se movido pelos mesmos princípios da altura: “Não estou nada arrependido de tudo aquilo que fiz; continuo com a mesma motivação de fundo pelos princípios democráticos e pela liberdade.”O fiscalista Saldanha Sanches ainda estava no liceu, mas já tinha consciência política: “Tudo começou com o Humberto Delgado.” Muito jovem, participou nas manifestações: “Lembro-me de uma, na Baixa, que foi uma coisa épica.” O envolvimento de Saldanha Sanches nos movimentos estudantis prolongou-se até ao 25 de Abril. Pelo meio passou pela extrema-esquerda, da qual se afastou depois da revolução: “Achava-se que o PCP era muito conciliador e o conhecimento do que se passava no Bloco de Leste levava-nos a ter esperança de que a China fosse diferente. Claro que após o 25 de Abril e com a morte de Mao Tsé Tung, essa esperança revelou-se gorada.” Mas isso foi mais tarde, depois das prisões e do casamento com Maria José Morgado. Hoje, o fiscalista mostra desencanto: “Portugal está demasiado mal. Vivemos num ambiente de desconfiança que não pode continuar.” No que diz respeito às lutas estudantis, é da opinião que “hoje em dia é uma questão egoísta”.A crise que se segue ocorre em Coimbra. Para Celso Cruzeiro, hoje advogado, a chamada ‘crise de 69’ ultrapassou a anterior. A queda de Salazar e o Maio de 1968 em França davam ânimo aos jovens que, segundo o advogado, começaram então a “reivindicar modelos alternativos”. Em suma, “questionar o sistema de ensino era só um instrumento. Tratava-se de mudar a universidade, para mudar a sociedade portuguesa, para mudar o Mundo”. Ainda hoje, Celso Cruzeiro afirma não se rever “neste modelo civilizacional: as pessoas não são felizes. Vivemos numa sociedade com profundas desigualdades. Defendo a possibilidade de uma visão alternativa do Mundo”.
MILITÂNCIA CONTRA A GUERRA COLONIAL
Em 1971, Luís Marques, hoje administrador da RTP, estreou-se na luta estudantil. Tinha 18 anos e estudava no Instituto Comercial, palco de uma greve aos exames na qual interveio a polícia de choque: “Claro que a greve era motivada por uma contestação ao sistema de ensino”, diz. Mas por detrás desta motivação encontrava-se “a participação numa luta mais geral, contra o sistema”. Devido ao seu envolvimento e à “militância contra a guerra colonial” foi preso em 1972 e “passou à clandestinidade” até ao 25 de Abril. Questionado sobre as causas que hoje o movem, é reticente: “Já não sou um jovem...”A palavra sacrifício não terá maior significado do que quando aplicada a Ribeiro Santos, única vítima mortal das lutas estudantis. José Lamego era seu amigo e ficou marcado pelos acontecimentos de 12 de Outubro de 1972, na sequência dos quais foi preso e torturado. Foi numa “luta corpo a corpo” contra o agente que acabara de matar o estudante, que Lamego foi ferido a tiro numa perna: “Ele ainda me apontou ao peito, mas já não tinha balas”, refere o actual deputado do PS. Envolvido em lutas estudantis desde 1969, José Lamego conheceu a prisão política por diversos períodos. As principais motivações dos estudantes eram políticas, diz, com destaque para o fim da guerra colonial. Nos dias de hoje, afirma, “gostaria que o País fosse mais desenvolvido, mais culto, mais moderno”.As lutas estudantis da primeira metade da década de 1970 foram dominadas pelo MRPP. Para além dos já citados Saldanha Sanches, Luís Marques e José Lamego, contavam entre as suas fileiras o actual presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e a procuradora-geral adjunta, Maria José Morgado, na altura conhecida como ‘Mizé Tung’. A actual coordenadora do DIAP, responsável pelos processos do ‘Apito Dourado’, não quis falar sobre este período da sua vida que, segundo o seu marido, Saldanha Sanches, foi vivido com muita intensidade, “tal como é agora o seu trabalho”. Fernando Rosas, historiador, ele próprio um dos contestários, lembra Morgado como “uma activista corajosa que não mudou a sua maneira de ser”. Quanto a Barroso, define-o como “um dos mais importantes líderes do movimento, activíssimo no PREC”. Curiosamente, em 2004, quando ainda era primeiro-ministro, viu o seu boneco queimado por estudantes na Cidade Universitária.
DISPUTAS ENTRE GRUPOS EXTREMISTAS
A seguir à revolução o enfoque das lutas deslocou-se. O combate ao regime perdeu a sua razão de ser mas os anos seguintes foram de disputas entre os grupos extremistas à esquerda e à direita. Foi no PREC que nos liceus foram vividas as sessões de pancadaria diárias.A partir de finais dos anos de 1970, o ambiente vivido nas escolas e universidades conheceu uma acalmia. Apenas alguns resistentes, animados por um sonho de transformação social, insistiram em “animar a malta”. “Tratava-se de queimar os últimos cartuchos”, explica o arquitecto Miguel Mira, hoje professor na Universidade Lusíada. O jovem, que no início dos anos de 1980 já tinha saído da universidade, protagonizou, juntamente com alguns nomes hoje ligados ao Bloco de Esquerda – como Francisco Louçã ou Miguel Portas – a única grande greve da década (1985) que obteve uma adesão de quase cem por cento. “Na verdade, éramos um grupo de malucos”, conta, “e, quase sozinhos, conseguimos mobilizar dezenas de escolas com alguns pretextos que, no fundo, tinham como motivação um sonho de profunda transformação.” A ideia era fazer renascer um associativismo estudantil moribunda. Os motores utilizados para suscitar nos estudantes a vontade de lutar partiam de questões concretas, como “a autonomia universitária, a gestão democrática, os serviços sociais”, mas o objectivo era bem mais abrangente e fazia parte, ainda segundo Miguel Mira, de “uma estratégia global de aproximação ao ‘socialismo científico’. O professor afirma sentir-se ainda hoje movido pelas mesmas causas: “Sou capaz de pegar num pau para defender a liberdade.”Mais suaves eram as motivações do então jovem estudante da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) Rui Zink, actualmente escritor e professor na mesma instituição, quando, em 1984, se envolveu no “único acontecimento dos anos de 1980 em termos de movimentações estudantis que teve algum interesse”. Tratava-se de “um happening/provocação” chamado Pornex 84. Ao longo de cinco dias, os estudantes da Nova empenharam-se em torno da... pornografia. Para Miguel Mira, “a Pornex, tal como os serviços sociais, foi uma invenção” destinada a fazer renascer as associações de estudantes nas universidades. Para Rui Zink, contudo, a motivação era outra: provocar. “1984 era o ano profetizado por Orwell para o advento do Big Brother. Também era o ano em que passava uma década sobre o 25 de Abril. Tratava-se, no fundo, de um teste à liberdade.” Mais de vinte anos passados sobre o Pornex, Zink não se sente muito diferente: “Um certo prazer de provocar continua a ser uma das minhas linhas de conduta. Modifica-se talvez um pouco a dosagem. Digamos que é um terço de liberdade, um terço de pendor didáctico e um terço de provocação”.No final dos anos de 1980 começou a desenhar-se a futura e polémica Lei das Propinas. Foi neste contexto que Sandra Monteiro, hoje directora do ‘Monde Diplomatique’ português, chegou à presidência da Associação de Estudantes da FCSH: “As questões que se colocavam na altura tinham a ver com o modelo de gestão das universidades, o tipo de participação dos estudantes, a garantia do financiamento público, aspectos que hoje, passado todo este tempo, continuam actuais.”
LUTAS ESTUDANTIS VOLTAM À RUA
No princípio dos anos de 1990, as lutas estudantis voltaram à rua. Curiosamente, as movimentações começaram por causa de uma reivindicação dos estudantes do Secundário: a abolição da então implementada Prova Geral de Acesso (à universidade), a PGA. O jornalista e militante do Bloco de Esquerda Daniel Oliveira estava no Liceu Passos Manuel, onde tinha ingressado para terminar o 12.º ano: “Já tinha 21 anos e não tinha qualquer intenção de voltar a ser dirigente associativo. Mas rebentou a história da PGA. No Passos Manuel não havia nada e então pensei: ‘vou fazer isto arrancar’. E marquei uma RGA.”As associações universitárias solidarizaram-se com as manifestações contra a PGA. O contrário não sucedeu na recusa às propinas por parte dos alunos do Secundário. Oliveira sim, “era totalmente contra as propinas”. Tanto que nos anos seguintes as boicotou no ISCTE. Anos mais tarde teve de pagar tudo para poder fazer o mestrado. Na altura, movia-o a luta contra o cavaquismo. No que diz respeito à PGA, Daniel Oliveira congratula-se com os resultados da luta travada: “Foi o único movimento estudantil que obteve uma vitória em Portugal depois de 1974.”Ao nível das universidades, a luta era outra e estava longe de ser consensual. Nuno Fonseca, webdesigner, estava na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra onde se encontrava, recorda, “a única associação académica que era totalmente contra a aplicação da Lei das Propinas”. E explica: as posições nas diferentes associações dividiam-se entre o ‘sim’, o ‘não, enquanto’ e o ‘não’. Fizemos o primeiro referendo alguma vez feito em assembleia magna e o resultado foi um esmagador ‘não’. A 18 de Novembro de 1992 dois comboios cheios de estudantes desceram de Coimbra para Lisboa para uma primeira grande manifestação. “Foram dois anos intensíssimos”, sintetiza Nuno Fonseca, que hoje, apesar de continuar a sair à rua “em todas as manifs”, se acalmou na militância, até porque o trabalho e a paternidade não lhe deixam espaço nem tempo. “Não se tratava apenas da luta contra as propinas”, sublinha. “Também queríamos mais acção social, discutir a qualidade do ensino. Mas, claro, o mais mediático era irmos para a rua gritar ‘não pagamos’. O que aliás, não conseguimos.”Seriam, no entanto, quatro jovens – entre os quais Sérgio Vitorino – a protagonizar o episódio que fez história. Despiram as calças e mostraram os traseiros nos quais estavam escritas as palavras de ordem do movimento. Nascera a ‘geração rasca’.
TESTEMUNHO DE JORGE SAMPAIO
“Participei na direcção do movimento estudantil em 1962, na qualidade de secretário-geral da Reunião Inter-Associações, vulgo RIA, antecâmara da futura Federação Académica de Lisboa.Nesse ano, as lutas estudantis adquiriram grande vigor e projecção, com manifestações, acções de massa e greves, às quais se associaram alguns docentes. Marcelo Caetano era, naquela época, reitor da Universidade de Lisboa e como consequência – não negligenciável – da nossa luta acabou por apresentar a demissão. Mas seguiram-se também prisões, demissões e expulsões porque o regime reagiu com a brutalidade que lhe era conhecida.Estas lutas representaram um momento crítico para o regime e sublinharam afinal a sua dificuldade em controlar e absorver a emergência de um novo protagonista social e político: os estudantes universitários.À distância direi mesmo que o regime nunca se recompôs totalmente do susto que os estudantes lhe pregaram, tendo o nosso protesto aberto caminho às chamadas primeiras ‘eleições’ do marcelismo, em 1969, mas que afinal foram, como se sabe, mais do mesmo.Se é certo que as forças políticas, com os seus prolongamentos repressivos e censórios e com as suas forças económicas autoritárias e conservadoras, ganharam transitoriamente a partida, vieram depois, felizmente, a afundar-se uns anos mais tarde. Estava-se então na madrugada de Abril de 1974.”
GERAÇÃO DE 1960 ENCONTRA A DE 2000
AS CAUSAS DO NOVO SÉCULO
As lutas estudantis não terminam com o séc. XX. O arquitecto Miguel Teixeira foi presidente da Associação Académica de Lisboa entre 2002 e 2003 e orgulha-se de ter “levado para a rua vinte mil estudantes”. As motivações eram as dos anos anteriores: “As propinas, a acção social, a lei de financiamento do Ensino Superior”. Mas também a contestação à guerra no Iraque.CRONOLOGIA1957/58Decreto-lei 40 900 regulamenta de forma autoritária a vida interna das associações de estudantes. Foi alvo de forte contestação, dando início à primeira crise académica.
1962
Crise em Lisboa
A 24 de Março são impedidas as comemorações do Dia do Estudante. Cidade Universitária é cercada.
1968
Maio de 68 em FrançaMarcello Caetano é nomeado Presidente do Conselho. José Hermano Saraiva chega à pasta da Educação.
1969
Crise em Coimbra
O presidente da A.A. de Coimbra é impedido de tomar a palavra numa cerimónia oficial.
1970
Morte de António Oliveira Salazar
Inicia-se o período que ficou conhecido como Primavera Marcelista.
1972
Morte de Ribeiro Santos
A 12 de Outubro de 1972, num encontro de estudantes na Faculdade de Economia, um agente da PIDE dispara a matar sobre um jovem estudante.
1974
Greve geral na Universidade de Lisboa contra a Guerra Colonial.
25 de Abril.
1977
Greve nacional do Ensino Superior.
1983
Bloco Central, PS e PSD partilham o poder.
1984
Pornex
1985
Greve com uma adesão de quase 100%.Cavaco Silva é o primeiro-ministro.
1991
O primeiro grito do “não pagamos” coincide com a luta contra a PGA.
1992
Parlamento aprova primeira Lei das Propinas. Primeiro aumento em cinquenta anos.
1993
24 de Novembro
Manif em frente ao Parlamento. A polícia carrega sobre os estudantes. Greve nacional e poucos dias depois Couto dos Santos é demitido.‘Geração rasca’ Vicente Jorge Silva foi o autor da designação com que ficou conhecida a geração que nos anos de 90 lutou contra as propinas.
Manuela Ferreira Leite (Dez. 1993/Out.1995)Largou a Secretaria de Estado do Orçamento para assumir a pasta da Educação. Estilo implacável.
Myriam Zaluar

domingo, 18 de março de 2007

Contra o fascismo


Petição contra a concretização
do Museu Salazar
em Santa Comba Dão




sábado, 17 de março de 2007

Acção antifascista sem confrontos





Um grupo de jovens antifascistas da Faculdade de Letras de Lisboa (FLUL) e da União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) juntou-se, esta quinta-feira, para pintar um mural fazendo alusão ao 25 de Abril, numa iniciativa contra as «várias mensagens de cariz fascista», que têm surgido na faculdade.
Pedro Marques, dirigente da URAP afirmou ao PortugalDiário que «os estudantes estão profundamente preocupados com as mensagens fascistas e com as ameaças aos direitos democráticos».
«Estamos aqui para exercer e defender Abril, e dizer que não temos medo e temos coragem de defender os nossos ideais», acrescentou.
À porta da Faculdade de Letras chegaram cerca de 40 elementos do PNR e da JN (Juventude Nacionalista), que em tom de brincadeira afirmaram que se tinham dirigido ali para «beber uns copos» e ver «umas gajas boas».
Mas segundo conseguimos apurar junto de um porta-voz do PNR, que não se quis identificar, o grupo foi ali para «responder a um apelo» feito pela URAP e acabaram por sair desiludidos.
«Afinal isto foi uma farsa do caraças. Vieram aqui para fazer folclore», declarou.
Questionado sobre a possibilidade de surgir algum tipo de conflito entre os dois grupos, o porta-voz assegurou que não estavam ali «para fazer violência».
Antes dos elementos da URAP começarem a pintar o mural, o PortugalDiário tentou falar com a PSP que se encontrava no local, contudo um agente respondeu que não estavam ali por causa de possíveis confrontos.
«Estamos aqui todos os dias a fazer o nosso trabalho. Não sabemos de qualquer tipo de confronto», afirmou o agente.
Contudo, o aparato policial foi grande e um possível conflito foi evitado. Algumas pessoas tiveram que se identificar e soaram algumas «bocas», principalmente quando a policia interrompeu as pinturas.
Pedro Marques explicou que os agentes estavam a pedir para pararem de pintar pois estava a gerar-se um ambiente tenso, contudo os membros da URAP argumentaram que, segundo a Constituição da República Portuguesa, é permitido pintar murais.
«Ficou acordado que só iríamos pintar o muro parcialmente e acabámos por desenhar um cravo que é a melhor forma de representar o 25 de Abril», declarou.

16 de Março de 1974


A tentativa de golpe de Estado, protagonizada pelo RI5 na madrugada de 16 de Março de 1974, não vingou mas foi muito importante para a preparação da Revolução dos Cravos. Apesar de ter fracassado, o movimento de 16 de Março permitiu lançar as bases para aquele que viria a ser o dia da mudança.Cerca das quatro horas da madrugada do dia 16 de Março de 1974, o Regimento de Infantaria 5, aquartelado nas Caldas da Rainha, deteve o comandante, o segundo comandante e três majores e iniciou uma marcha auto transportada até Lisboa.O objectivo era derrubar o Governo e abrir caminho para a Democracia. No entanto, falharam os apoios previstos e a coluna militar acabou por não conseguir entrar na capital. Os cerca de 200 militares regressaram então para as Caldas onde acabaram por se render e foram feitos prisioneiros. Terminava assim a tentativa de golpe de estado que serviu de ensaio para o 25 de Abril. Marcelo Caetano ainda tentou minimizar o acontecimento e declarou publicamente que as Forças Armadas estavam sob controlo. No entanto, mês e meio depois, deu-se um novo levantamento que veio deitar por terra o regime vigente (25 de Abril).