sexta-feira, 27 de abril de 2007

Conto apresenta às crianças o 25 de Abril

O escritor e poeta João Pedro Mésseder escreveu um conto de fadas sobre o 25 de Abril. O conto quer apresentar a História aos mais pequenos “para que a memória não seja apagada e o fascismo não seja branqueado”. Como em todos os contos, neste também há bons e maus. Joana Soares (texto)/Filipe Pires (foto) «Romance do 25 de Abril» lançado no dia 25 de Abril. João Pedro Mésseder, pseudónimo de José António Gomes, pensou num conto para as crianças, e também, “para os três milhões de portugueses que nasceram após a Revolução do 25 de Abril, há 33 anos”. O lançamento ontem não foi inocente, “a história já estava pensada”, só era preciso esperar pelos ponteiros do calendário para o «Romance do 25 de Abril» arranjar espaço nas livrarias. Dezenas de miúdos e graúdos engalfinhavam-se pelos corredores e cadeiras do auditório da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, para assistir ontem ao lançamento do conto, e não só - a par da apresentação da criação do João Pedro Mésseder, a Banda dos Gambuzinos, um grupo de petizes ecoaram pela sala sons harmónicos. “Os livros para crianças têm imensas metáforas, que estão muito cifradas. Eu investi nas alegorias para explicar às crianças quem foram os responsáveis pela passagem do 25 de Abril”, traduziu Mésseder, com um cravo pregado no bolso da lapela, ao JANEIRO, para de seguida justificar o feito: “Um livro para que a memória não seja apagada e não haja o branqueamento do fascismo”. Assim, o escritor conta em conto, “o conto de fadas” de Portugal e do 25 de Abril. “Pensam que os 48 anos de ditadura não foram um conto de fadas”, arranca João Pedro Mésseder, “mas estão enganados”. “Sim foi um conto de fadas com tudo de exaltante, tenebroso, sangrento, com heróis e heroínas, com falsos heróis, adjuvantes e agressores”, explica, não esquecendo que dos personagens fazem parte os “ogres”, ou seja, Salazar, Marcelo Caetano, PIDE, “que apodreciam a carne viva”, em Peniche, no Tarrafal, Caxias, Paços de Ferreira e outros locais. A carne viva que “apodrecia” nos edifícios da PIDE eram entre muitos, como o autor aludiu, Humberto Delgado, Ribeiro dos Santos, Amílcar Cabral, Bento Gonçalves, Catarina Eufénia. E como todos os contos de fadas “o desfecho é feliz com o 25 de Abril”. João Pedro Mésseder parafraseou Sophia de Mello Breyner Andersen, quando a escritora e poetisa descreveu o dia dos cravos como “inteiro e limpo”. «Romance do 25 de Abril» lê-se par a par com as ilustrações de Alex Gozblau. Em tons de verde e vermelho tal como é o fato de Portugal, Gozblau esforçou-se por pintar as figuras centrais do conto, muito parecidas com os protagonistas principais da História.
Do conto Romance do 25 Abril
“Agora ninguém mais encerra as portas que Abril abriu”. O verso de Ary dos Santos está exposto nas três primeiras páginas do recente conto de João Pedro Mésseder. Como enfatiza o autor, “para que a memória não seja apagada e para que não haja o branqueamento do fascismo”. E o autor na contra-capa abre as portas para que as crianças percebem no conto o que foi, afinal o 25 de Abril: “E se um menino se chamasse Portugal (...), o Portugal do antes do 25 de Abril pode ser comparado com um menino? Por que não? Como cresceu e sofreu e lutou já adulto para que fosse realizado um sonho. E esse sonho foi o da liberdade, é claro!”.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

O 25 de Abril 33 anos depois!!!! Onde estão os cravos????

Ana Paula Correia




"Em nome de Portugal, não se resignem!". Foi com esta frase que Cavaco Silva terminou o discurso comemorativo do 33.º aniversário do 25 de Abril, no qual apelou ao não-conformismo e à não resignação dos jovens. E foi também em nome "dos que nasceram depois de 1974" que, na Assembleia da República, deixou a pergunta "Não estarão as cerimónias comemorativas do 25 de Abril a converter-se num ritual que já pouco diz aos nossos concidadãos?".Depois de deixar a nota de discordância em relação à forma como se assinala Abril, ao sugerir aos deputados uma reflexão sobre a forma de "actualizar a evocação", o presidente, do alto de uma tribuna decorada com molhos de cravos vermelhos, falou de "ambição" de confiança no futuro mas também de "sinais de preocupação"."Há todo um conjunto de perplexidades e dúvidas que não podem deixar de merecer uma reflexão conjunta, para a qual convoco os portugueses neste Dia da Liberdade". Seguiram-se, no discurso do chefe de Estado, exemplos desses sinais, que levam à pouca mobilização dos jovens na vida política, e que foram deixados em forma de "recados" ao poder executivo. Sempre com a palavra juventude presente, Cavaco Silva defendeu como legado "um regime em que sejamos governados por uma classe política qualificada, em que a vida pública se paute por critérios de rigor ético, de exigência e competência, em que a corrupção seja combatida por um sistema judicial eficaz e prestigiado". Aplaudido pelo PSD, foi ainda mais longe ao falar na necessidade de amadurecer a democracia, "com meios de comunicação social isentos e responsáveis", maior empenhamento dos "agentes políticos na prestação de contas aos cidadãos" e com "clareza e transparência na relação entre o poder político e a comunidade cívica"."É preciso que exista uma clara separação entre actividades políticas e actividades privadas, que as situações de conflito de interesses sejam afastadas por imperativo ético e não apenas por imposição da lei". Esta opinião do presidente foi a seguir rematada com a renovação do apelo ao consenso político sugerido no ano passado "As diversas forças partidárias, ao invés de se ficarem apenas pelo que as divide, devem juntar esforços e fazer obra em comum, pensando primeiro em Portugal e nos portugueses".A alusão aos desafios da coesão política europeia e das tarefas da presidência portuguesa da União acabou por estar ausente do discurso do chefe de Estado, mas, uma vez mais usando os jovens como mote da intervenção, Cavaco lembrou o último Fórum Europeu da Juventude e a interpelação que foi feita aos dirigentes da Europa "Ouçam o temos para dizer, perguntem-nos o que precisamos e, depois, actuem". E depois deixou uma mensagem final para o Governo de José Sócrates: "É tempo de actuar. Vivemos um ano decisivo para realizar reformas de fundo em domínios essenciais da nossa vida colectiva. O futuro não pode ser adiado".




Turistas e portuenses juntos de cravo na mão!!!


"It's funny to come to the feast with a cravo, isn't it?". Fascinado com a ideia de estar numa festa de cravo na mão, o casal inglês gozava, em plena Avenida dos Aliados, no Porto, o espírito das comemorações. Aliás, foram muitos os turistas que, ontem à tarde, compareceram aos festejos do 25 de Abril na Avenida dos Aliados, no Porto. S.Pedro aproveitou para dar uma ajuda, afastando qualquer ameaça de chuva e oferencendo, assim, uma tarde agradável à festa. Kate e Henry aproveitaram os preços irresistíveis de uma companhia aérea "low cost" para conhecer a cidade que exporta o vinho que dizem mais apreciar."Não sabíamos que hoje os portugueses comemoravam a revolução, nem sabíamos que o símbolo era esta flor tão bonita", revelou Kate, que imitava os populares, trazendo o seu cravo vermelho ao peito.Por perto, estava Maria Rosa, reformada, mas vendedora de cravos em todos os 25 de Abril. "Isto já foi tempo em que eu vendia mais de 300 cravos neste dia, agora, sabe como é, a vida está difícil e também há muito mais gente a vender por aí", afirmou."É o cravo da liberdade, do 25 de Abril", apregoava a bom som. Um idoso aproximou-se, apreçou a flor, mas os 50 cêntimos pedidos fizeram com que virasse costas. "Está a ver? É a crise, custa menos do que um café, mas nem assim...", lamentou-se. Os clientes de Maria Rosa são, na sua maioria, pessoas que viveram a revolução. Contudo, a vendedora confessou a sua emoção ao vender cravos a estrangeiros. "Eles ficam admirados ao ver o povo com a flor nas mãos e querem comprar também", explicou.E enquanto Maria Rosa vendia, no palco montado em plena Avenida dos Aliados, casais de dançarinos mostravam como se dança samba, tango, valsa e rock. E como não há festa sem baile e música, a Comissão Promotora das Comemorações do 25 de Abril no Porto ofereceu à população um espectáculo de danças de salão pelo clube da cidade, a actuação da Orquestra Ligeira do Grupo Musical de Miragaia e a actuação dos cantores Zeca Medeiros e Filipa Pais.A festa popular apenas parou para intervalo à chegada do Desfile da Liberdade. Como acontece todos os anos, ex-combatentes, sindicalistas e demais populares organizaram um cortejo desde as instalações do Museu Militar (ex-Polícia Internacional e de Defesa do Estado - PIDE) até à Avenida dos Aliados.Depois de umas palavras de ocasião pelo coronel João Ambrósio, da Associação 25 de Abril, as cantorias no palco prosseguiram. Como a tarde já ia longa e eram horas do lanche, muitos populares viraram costas e acorreram às barracas de comes-e-bebes instaladas nas imediações.
Fernando Basto
PSD fala de Estado "claustrofóbico"

Ana Paula Correia
Foi de indicador em riste que o social-democrata Paulo Rangel proferiu o discurso mais polémico do conjunto das intervenções partidárias, ao considerar que se vive numa "claustrofobia democrática". Palavras longamente aplaudida pela bancada do PSD e apelidadas "bota-baixismo" por José Sócrates, ao falar aos jornalistas no final da sessão. "A conjugação de uma grave situação económica com um discurso oficial de pensamento único, de auto-elogio maniqueísta e de optimismo compulsivo produz uma atmosfera propícia ao medo e ao receio do exercício da liberdade crítica. Não é só nos media, mas também a sociedade portuguesa que está condicionada", afirmou deputado do PSD.Na opinião de Rangel, que centrou as críticas na política de segurança e nas relações do poder socialista com a Comunicação Social, "o actual sistema declina, desliza e derrapa para um modelo simplista e concentracionário do Grande Intendente , que tudo supervisiona, tudo tutela e tudo vigia".Ainda à Direita, sobressaiu Nuno Magalhães por incluir os novos temas que Paulo Portas usou como bandeiras na campanha interna pela liderança do partido. "Devemos dar a devida atenção aos desafios contemporâneos", disse e enumerou-os "O ambiente, a investigação científica e a cultura".Os protagonistas da Oposição de Esquerda foram o comunista Francisco Lopes, a bloquista Helena Pinto, e Madeira Lopes, dos Verdes, que puseram o acento tónico dos seus discursos na questão europeia, na degradação do Serviço Nacional de Saúde e das condições laborais e no aumento do desemprego."Longe das promessas de pelotão da frente da UE, Portugal ocupa um lugar cada vez mais atrasado nos principais aspectos económicos e sociais, defrontando graves problemas estruturais e um nível de desemprego que atinge mais de 600 mil portugueses", actuou o deputado comunista.Para Helena Pinto, que terminou a sua intervenção a homenagear Zeca Afonso", há, neste momento, uma questão política essencial "Se a Europa quer ter uma Constituição, a promessa do referendo tem se ser cumprida. O país não perdoará a irresponsabilidade de quem promete e despromete o referendo".Mais tarde, Sócrates garantiria que mantém a intenção de fazer um referendo. No entanto, questionado sobre a posição negativa de Cavaco, em relação ao referendo, o primeiro-ministro foi cauteloso. "Ainda é cedo para estudar o processo de ratificação do próximo Tratado", disse, citado pela Lusa, e sublinhou que "o mais importante é construir um consenso entre os 27 países para ultrapassar a crise institucional". Madeira Lopes falou do "tanto Abril por cumprir", em particular nas áreas sociais e ambientais.Do lado socialista, Maria de Belém identificou as cinco batalhas essenciais do país "Melhoria da qualidade da democracia, (com a reforma do Parlamento, também sublinhada pelo presidente da Assembleia, Jaime Gama); o reforço da qualidade da Justiça; a modernização do país; e a a luta contra as desigualdades sociais.

Homenagear Zeca Afonso


A brincar, a brincar.....


Cartilha da União Nacional

25 Abril: GNR abre ao público quartel do Carmo

Gabinete onde Marcelo Caetano aguardou o desenrolar dos acontecimentos



sala onde Marcelo Caetano entregou o poder a Spínola

Cadeira em que Marcelo Caetano se sentou


Entrada da cisterna


O quartel da GNR no Carmo, onde a 25 de Abril de 1974 o capitão Salgueiro Maia negociou com Marcello Caetano o fim do regime, abriu hoje ao público pela primeira vez.
A iniciativa da Guarda Nacional Republicana assinala o 33º aniversário da Revolução de Abril e os 96 anos da GNR.
Até dia 6 de Maio, o público vai poder visitar a sala onde Marcello Caetano recebeu e parlamentou com o capitão Salgueiro Maia e mais tarde entregou o poder ao General António Spínola.
A sala foi mantida pela GNR como estava na época, com todo o mobiliário.
Também aberta ao público estará a sala «General Afonso Botelho», onde está exposto o volume 13 da «Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira» que ainda mostra sinais dos projécteis de G3 disparados em 1974.
A visita também inclui uma mostra de oito viaturas - quatro antigas e quatro modernas -, motos, fardas e equipamento utilizado pela GNR.
Entre as quatro viaturas antigas conta-se um Porsche 1.600 da Brigada de Trânsito, que serviu de escolta ao Papa João Paulo VI quando visitou Fátima em Maio de 1967, um Mercedes Matateu 170D de 1954, um jipe de 1965 e um carro de transporte de 1958.
Estão também expostas viaturas recentes, como um dos carros blindados que prestaram serviço no Iraque, uma carrinha utilizada no combate aos fogos florestais, uma carrinha de transporte do «Batalhão Operacional» e uma viatura dos serviços de fiscalização da natureza da GNR.
Estão ainda expostas várias motos antigas da Brigada de Trânsito, usadas entre 1957 e 1981, além de uma bicicleta equipada com espingarda Mauser de 1904, utilizada nas «Patrulhas Rurais» até meados do século passado.
Também a capela de Nossa Senhora do Carmo, onde está a Santa Padroeira da GNR e a urna com os restos de D.Nun`Alvares Pereira, estará acessível ao público.
As visitas decorrem das 9:00 às 19:00, em grupos organizados mediante inscrição prévia no próprio quartel.

Diário Digital / Lusa
24-04-2007 18:20:00

terça-feira, 24 de abril de 2007

VIVA O 25 DE ABRIL


25 DE ABRIL SEMPRE!!!

HOMENS DE ABRIL

Aqui fica a homenagem A TODOS aqueles que nos ajudaram a chegar à liberdade




Cap. SALGUEIRO MAIA




MAJOR MELO ANTUNES




OTELO SARAIVA DE CARVALHO
VASCO GONÇALVES

Abril

Sei que estás em festa


"Sei que estás em festa, pá

Fico contente

E enquanto estou ausente

Guarda um cravo para mim".


Tanto mar - Chico Buarque



No dia 25 de abril é comemorado os 30 anos da Revolução dos Cravos que pôs fim ao período salazarista com a derrubada de Marcello Caetano. Portugal, hoje membro da Comunidade Européia, era um país atrasado em relação ao continente. O país de Camões não vivia o melhor momento de sua história, o último império colonial da Europa pagava caro por este título. Angola, Moçambique e Guiné estavam em guerras de libertação da matriz desde os anos 60, além do desprestígio causado pelas conquistas de Goa, Damão e Diu pela Índia. Portugal era integrante da ONU e da OTAN, mesmo assim era condenado por seus aliados, inclusive, pela sua política colonialista e ditatorial. O esforço de guerra colonial produzia um serviço militar de quatro anos de duração, repressão às opiniões contrárias à guerra, partidos e movimentos políticos, exílio de líderes da oposição e controle da imprensa e sindicatos. Todos eram suspeitos aos olhos do Grande Irmão português. A revolução de 25 de Abril de 1974 representa muito mais que uma mudança na história do Portugal. Ela é o marco do fim do ciclo imperial iniciado com a expansão marítima no século XV. A revolução portuguesa deu esperanças aos país latinos a lutar contra as suas ditaduras. No Chile havia sido imposto uma ditadura em nome da “liberdade”, “democracia” e “mundo livre” em 11 de setembro de 1973 com apoio do governo estadunidense. Ou seja, seis meses apenas antes da Revolução dos Cravos. O motivo da revolução é simples e pode ser resumido nos três dês: democratizar, descolonizar e desenvolver, que só seriam possíveis com o fim do salazarismo. António de Oliveira Salazar assumiu o cargo de Presidente do Conselho de 1932 até 1968. Governou o país com mão-de-ferro até a sua retirada por incapacitação física. Marcelo Caetano assume o seu lugar e mantém o regime por mais seis anos. Salazar tentou manter a todo o custo o fim do período colonial e dirigiu Portugal sob linha dura até a sua morte. Com a substituição de Salazar por Marcello Caetano, a expectativa pela liberalização do país aumentou, muito embora a demanda por mudanças superasse a meta do governo de fazer uma transição lenta, gradual e segura; para eles, obviamente. Nos anos 70, os portugueses estavam descontentes com a decadência econômica produzida pelo atraso da nação e do financiamento às guerras coloniais. Os setores de médio e baixo escalão das forças armadas estavam ainda menos satisfeitos com guerras inúteis e governos que não os representavam. Surge o “Movimento dos Capitães". Eles conviviam com o sentimento de exploração, antipatia popular e o medo de serem culpados por uma nova derrota nas colônias, assim como ocorreu nos territórios indianos. O Movimento cresce no verão de 1973/1974 e, desta vez, o povo passa a apoiar a causa dos militares como única via para acabar com o salazarismo. O regime de 48 anos cai quase sem derramamento de sangue em poucas horas com a adesão da população. O golpe não foi uma surpresa. Em 16 de março, oficiais de vários quartéis realizaram uma golpe frustrado contra o regime. O “putsch das Caldas da Rainha” serviu de ensaio para o golpe fatal contra o regime salazarista. Meia-noite e vinte minutos de 25 de abril de 1974. Neste horário era dada a senha para o início do fim. A Rádio Renascença executa “Grândola, Vila Morena” de Zeca Afonso, uma música proibida pela ditadura. Marcelo Caetano é “convidado” a se retirar e se exila no Brasil, que vivia os anos negros da ditadura militar. A população festeja o fim da ditadura distribuindo cravos, a flor nacional, aos soldados rebeldes. A revolução dos cravos teve três fases distintas. Até o golpe de 11 de março de 1975 não se sabia quem controlava o país. O general António de Spínola assume a Presidência e toma atitudes polêmicas como legalizar todos os partidos políticos, inclusive o Partido Comunista. As forças de esquerda ganham cada vez mais força no país e em setembro as MFA (Movimento das Forças Armadas) passa a dominar o governo. A MFA era influenciada pelo PCP. No mesmo ano de agitações políticas, as colônias africanas de Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau conseguem suas soberanias políticas. Era um desejo popular acabar com a ditadura, mas ao mesmo tempo era um golpe militar de fato. A peculiaridade aumenta com a segunda fase do golpe, iniciada pela tentativa frustrada de golpe de Spínola. O novo governo passa a ser controlado pelos generais Costa Gomes, Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Gonçalves. Depois do 11 de março o país começou a tomar de vez o rumo da esquerda. Bancos, indústrias e empresas de mídia foram nacionalizados, além do início da reforma agrária. Neste período é registrado uma migração em massa para o Brasil. Em menos de um ano, cerca de meio milhão de portugueses se mudam para o continente americano num novo processo migratório. A vitória do moderado Partido Socialista de Mário Soares nas eleições para a Assembléia Constituinte em abril traz um novo momento ao período revolucionário. Inconformados com esta reviravolta, oficiais de extrema esquerda tentam, sem sucesso, um novo golpe em 25 de novembro. Esta tentativa frustrada põe fim ao período revolucionário. Mesmo assim, a revolução portuguesa foi um marco para a redemocratização da península Ibérica e da América Latina. Ela foi decisiva para as eleições que trouxeram derrotas aos governos “democráticos” no Brasil e em outros países latino-americanos sem cheiro nem sabor. A revolução mudou de vez a vida dos portugueses. A Carta Magna de 1976 incluiu temas sociais, garantiu o processo de reforma agrária e a independência das colônias. No mesmo ano, o general António Ramalho Eanes é eleito presidente da República. Este foi o mesmo comandante que esmagou a rebelião de oficiais de esquerda. Com a derrota, Mário Soares tem de governar com a minoria no congresso. Em 1978 renuncia ao cargo devido a grave crise econômica. Mesmo atravessando instabilidades políticas, como a do fim da década de 70, a democracia sobreviveu em Portugal com a alternância entre os partidos de direita e esquerda. Atualmente, os portugueses comemoram o 25 de abril como uma data que fez o país renascer do obscurantismo e do fascismo. Especial A Revolução dos Cravos - 25 de abril de 1974